Nascimentos no Brasil atinge menor patamar desde 1976

O Brasil registrou, em 2023, o menor número de nascimentos dos últimos 47 anos. Foram 2,52 milhões de novos registros no país, conforme apontam os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na sexta-feira, 16 de maio. O volume representa uma queda de 0,7% em relação ao ano anterior — cerca de 19 mil registros a menos — e mantém uma tendência de queda iniciada em 2018.

Na comparação com a média anual do período pré-pandemia (2015 a 2019), que girava em torno de 2,87 milhões de nascimentos, a retração chega a 12%. A redução é reflexo direto da transição demográfica vivida pelo país, marcada por famílias com menos filhos, envelhecimento da população e mudanças no perfil reprodutivo das mulheres.

Apesar da queda geral, a taxa de sub-registro — quando o nascimento não é registrado até o primeiro trimestre do ano seguinte — foi a menor em quase uma década: 1,05%.

Centro-Oeste vai na contramão

A maioria das regiões brasileiras acompanhou a tendência de queda, com exceção do Centro-Oeste, que registrou alta de 1,1% nos nascimentos. Entre os estados com maior crescimento estão Tocantins (3,4%) e Goiás (2,8%). Já os maiores recuos foram observados em Rondônia (-3,7%), Amapá (-2,7%) e Rio de Janeiro (-2,2%).

Idade das mães está aumentando

O estudo também mostra uma mudança gradual no perfil das mães. Em 2003, mulheres entre 30 e 34 anos respondiam por 14,6% dos nascimentos; em 2023, esse percentual subiu para 21%. Já entre aquelas com 35 a 39 anos, a participação passou de 7,2% para 13,7%. Por outro lado, o sub-registro ainda é alto entre mães com menos de 15 anos: 6,57%, o que pode indicar falta de informação e apoio às adolescentes.

Número de mortes também recua

Além da queda nos nascimentos, o país também registrou menos mortes em 2023. Foram 1,42 milhão de óbitos — redução de 5% em relação ao ano anterior. Idosos com 60 anos ou mais representaram 71% dos falecimentos. O maior recuo foi observado entre pessoas com 80 anos ou mais, com 7,9% de queda (menos 38 mil mortes).

Segundo o IBGE, o país está retornando aos níveis anteriores à pandemia, o que justifica a diminuição no número de mortes entre os mais velhos.

Expectativa de vida segue desigual

A expectativa de vida ao nascer em 2023 foi de 79,7 anos para as mulheres e 73,1 anos para os homens, mantendo a diferença histórica de 6,6 anos. Homens continuam morrendo mais: foram 783 mil óbitos masculinos (queda de 4,9%) contra 646 mil entre as mulheres (queda de 5,2%).

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)