Arthur Neves de Barros, de 35 anos, foi preso na quinta-feira (19) no município de Sumé, na Paraíba, suspeito de envolvimento na execução do empresário Wallace Borges Lovato, de 42 anos, ocorrida no início de junho, em Vila Velha. O boné utilizado por Arthur no dia do crime foi um dos detalhes que contribuíram para a confirmação de sua identidade, segundo a Polícia Civil da Paraíba.
De acordo com o delegado Gilson Duarte, imagens de câmeras de segurança registradas no Espírito Santo no dia do assassinato mostravam o suspeito utilizando o mesmo boné visto posteriormente na Paraíba. Esse elemento visual foi considerado decisivo na conclusão do reconhecimento.
O crime ocorreu no dia 9 de junho, quando Wallace saía da empresa onde trabalhava e se dirigia ao carro, na Praia da Costa. As câmeras captaram o momento da aproximação do autor dos disparos, dando início a um trabalho de inteligência que envolveu a troca de informações entre as polícias civis do Espírito Santo e da Paraíba.
Prisão após vigilância
A detenção de Arthur aconteceu após uma operação de vigilância que durou quase 21 horas. A equipe da Polícia Civil ficou de campana em frente à casa onde ele morava, e a abordagem ocorreu no momento em que ele deixou o imóvel. Arthur não resistiu à prisão, mas negou as acusações e afirmou que não esteve no Espírito Santo. Após ser confrontado com os indícios reunidos pelos investigadores, permaneceu em silêncio.
Como não havia mandado de busca e apreensão expedido, os policiais não puderam entrar na residência, apesar da suspeita de que o local pudesse abrigar outras provas relacionadas ao crime.
Perfil do suspeito
Apesar de levar uma vida discreta em Sumé, onde trabalhava como vigilante e bombeiro civil, Arthur já responde a processos por violência doméstica e homicídio qualificado. Em sua cidade, moradores já comentavam a possibilidade de ele estar envolvido em crimes semelhantes, com características de atuação como pistoleiro — inclusive fora do estado.
Consultas feitas no sistema do Tribunal de Justiça da Bahia confirmam que Arthur é réu em um processo de homicídio qualificado desde 2016, ainda sem sentença definitiva. Ele também responde, na Paraíba, por denúncias de injúria, ameaça e agressão contra uma mulher, registradas em 2023.
Prisão preventiva e possível transferência
Arthur foi detido em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Espírito Santo. Ele deverá passar por audiência de custódia na Paraíba e, até o momento, ainda não houve solicitação formal para sua transferência. Segundo a polícia local, esse tipo de procedimento costuma ser discutido em etapas posteriores do processo, especialmente quando há grande distância entre os estados envolvidos.
A investigação sobre a morte de Wallace Borges Lovato continua em andamento no Espírito Santo. A motivação do crime ainda não foi divulgada pelas autoridades, e também não há confirmação sobre a existência ou identidade de um possível mandante.
Outro suspeito preso
Além de Arthur, outro homem suspeito de envolvimento no crime foi preso no início da semana. Arthur Laudevino Candeas Luppi foi capturado em Minas Gerais e encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Viana. Ele já havia prestado concurso público para a Polícia Militar capixaba em 2022.
Investigação segue sob sigilo
A Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha segue à frente da apuração. A Polícia Civil informou que as investigações continuam com uso de ferramentas de inteligência e análise de imagens, mas, por enquanto, não divulgará mais detalhes para não comprometer o andamento do inquérito.