Tarifaço dos EUA: ES estuda medidas emergenciais para proteger empregos e exportações

Com a entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras prevista para o dia 1º de agosto, o Governo do Espírito Santo se mobiliza para mitigar os impactos sobre a economia capixaba. Em 2025, um terço das exportações do Estado teve como destino o mercado norte-americano, e os setores mais atingidos — como o de rochas ornamentais — já começam a sentir os efeitos da medida.

Em reunião realizada nesta segunda-feira (28), liderada pelo vice-governador Ricardo Ferraço, o comitê estadual criado para acompanhar o caso se reuniu com empresários do agronegócio e do setor de rochas para discutir alternativas e formas de apoio emergencial.

Apoio para manter empregos e atividade econômica

Ferraço afirmou que o foco do governo é garantir a manutenção dos empregos e o nível de atividade econômica no Estado, mesmo diante da medida que classificou como “sem fundamento econômico”. Entre as possibilidades discutidas estão linhas de crédito emergenciais, incentivos fiscais e ações em parceria com bancos estaduais, como o Banestes e o Bandes.

“O que nos interessa é a manutenção dos empregos e o nível de atividade econômica do Espírito Santo. Estamos conversando com os empreendedores para encontrar soluções. O governo está pronto para ajudar”, disse o vice-governador.

Setor de rochas ornamentais é o mais afetado

O setor de rochas ornamentais, um dos pilares da balança comercial capixaba, é um dos mais impactados. Segundo Ferraço, 70% das exportações do setor são destinadas aos EUA, movimentando cerca de 20 mil empregos diretos. No momento, 1.200 contêineres com produtos prontos estão parados nos portos, aguardando definições sobre as tarifas.

O presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), Tales Machado, destacou que a nova tarifa pode gerar desequilíbrio financeiro imediato para as empresas, mesmo que as compras sejam mantidas.

“Temos o risco real de perder competitividade. A tarifa imposta ao Brasil é de 50%, enquanto a da União Europeia é de 15%. Isso pode favorecer concorrentes europeus, como a Itália, que já conhece nosso mercado e pode internalizar a produção”, alertou.

Governo capixaba articula ações coordenadas

Além do setor privado, participam do comitê representantes das Secretarias de Desenvolvimento (Sedes), Fazenda (Sefaz), Casa Civil, Economia e Planejamento (SEP), bem como da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Banestes e Bandes. O grupo trabalha para elaborar medidas integradas de enfrentamento, preservando a economia local e os empregos em risco.

Novas reuniões devem ocorrer ainda esta semana para alinhar as primeiras ações emergenciais a serem anunciadas pelo Governo do Estado.