Uma administradora de 45 anos foi presa após confessar ter desviado cerca de R$ 560 mil de uma empresa de locação de imóveis, no bairro Santa Lúcia, em Vitória. O esquema durou dez meses e foi descoberto depois que o sócio-proprietário, de 72 anos, recebeu uma cobrança de impostos que acreditava já ter quitado.
Segundo a Polícia Civil, a funcionária usava o conhecimento técnico para fraudar boletos bancários. Mais de 60 documentos teriam sido adulterados. Ao repassar os boletos ao patrão, constavam nomes de serviços regulares — como planos de saúde e tributos —, mas o código de barras direcionava o valor a uma intermediadora financeira, que transferia o dinheiro para a conta dela.
Confiança quebrada
De acordo com o delegado Diego Bermon, do 3º Distrito Policial de Vitória, a administradora gozava de extrema confiança: trabalhava há sete anos na empresa, cuidava também de questões pessoais do sócio e até intermediava pagamentos de familiares dele.
“Foi um golpe que se manteve pelo tempo em razão da confiança e do cuidado pessoal que a vítima tinha com ela”, disse o delegado em coletiva.
Mudança de vida
Com os desvios, a mulher mudou de Cariacica para um apartamento de frente para o mar em Praia de Itaparica, Vila Velha, alugado com o dinheiro ilícito. Também adquiriu um carro importado e passou a viajar com frequência para Domingos Martins. Tudo isso com renda oficial de apenas dois a três salários mínimos.
Prejuízo maior que o calculado
Além dos R$ 560 mil desviados, a empresa ainda sofreu prejuízo de cerca de R$ 177 mil em juros por impostos que ficaram em aberto. O delegado acredita que o valor real pode ser ainda maior, já que a contabilidade segue revisando os boletos.
No interrogatório, a investigada alegou ter gasto tudo em despesas mensais — cerca de R$ 15 mil em cartões de crédito, R$ 1,800 em plano de saúde e R$ 1.000 de condomínio — mas a polícia aponta que os valores não batem com o montante desviado. “Acreditamos que parte do dinheiro ainda esteja em posse dela”, afirmou Bermon.
Prisão e acusações
A suspeita foi presa em flagrante no dia 31 de julho, em seu apartamento em Vila Velha. Ela foi autuada por estelionato na modalidade de fraude eletrônica, crime majorado por ter sido cometido contra idoso e de forma continuada. A Justiça manteve a prisão preventiva.
A defesa dela ainda não se manifestou.