Mais de 420 mil capixabas levam até meia hora para chegar ao trabalho, aponta IBGE

Um levantamento do Censo 2022, divulgado na última quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que 421.606 trabalhadores do Espírito Santo gastam entre 15 e 30 minutos no trajeto diário até o trabalho. Outros 147 mil levam menos de 5 minutos, enquanto 241 pessoas afirmaram demorar mais de 4 horas para chegar ao destino. Além disso, 359 mil capixabas exercem suas atividades diretamente em casa ou em propriedades rurais.

O Estado tem 1,29 milhão de pessoas que precisam se deslocar para trabalhar, o que representa 33,8% da população. Dentre elas, 188,2 mil (14,5%) trabalham em cidades diferentes de onde moram.

Entre os municípios, a Serra lidera com 196.045 trabalhadores, seguida por Vila Velha (166.733) e Vitória (121.648).

Meios de transporte mais utilizados

O ônibus é o principal meio de transporte dos capixabas, utilizado por 26,61% dos trabalhadores — cerca de 344 mil pessoas. Logo em seguida aparece o carro particular, com 26,22% (339 mil), e o deslocamento a pé, que representa 18,3% (236 mil). Já as motocicletas são usadas por 16% (207 mil) e as bicicletas por 9,2% (119 mil).

Deslocamento e perfil racial

O estudo também mostra diferenças de deslocamento entre grupos raciais. Brancos e pardos são maioria entre os que levam menos de cinco minutos para chegar ao trabalho — 131 mil pessoas no total —, enquanto pretos, amarelos e indígenas somam 15 mil nessa mesma faixa de tempo.

Comparativo nacional

Em todo o Brasil, 88,4% dos trabalhadores atuam no mesmo município onde vivem. O automóvel é o principal meio de transporte dos brasileiros, utilizado por 42,9% da população de cor branca. Já entre pessoas pretas, o ônibus aparece como o mais usado (29,5%), seguido pelo carro (21%) e pelo deslocamento a pé (19,8%).

Segundo o IBGE, 40 milhões de brasileiros (56,8%) levam entre seis minutos e meia hora para chegar ao trabalho, enquanto 1,3 milhão passam mais de duas horas no trajeto. “O resultado reflete o modelo de integração urbana baseado nas rodovias e a falta de investimentos consistentes em transporte público”, explica Mauro Sérgio Pinheiro, analista do IBGE.