Brasil ultrapassa mil casos de feminicídio em 2025, e tragédias recentes reacendem alerta sobre a violência contra mulheres

Com o fim do ano se aproximando, o Brasil chega a um número alarmante: mais de mil casos de feminicídio foram registrados em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número de tentativas de feminicídio também preocupa, 2,7 mil mulheres sobreviveram a ataques motivados por violência de gênero ao longo do ano.

O feminicídio é o assassinato ou agressão de uma mulher em razão do gênero, motivado por ódio, controle ou discriminação, e segue sendo uma das formas mais graves de violência contra a mulher no país. Somente nos últimos dias, novos casos chocaram o país e reacenderam o debate sobre proteção, prevenção e políticas públicas eficazes.

Casos recentes que chocaram o país

Um dos episódios que mais causaram indignação aconteceu no Recife, quando um homem ateou fogo na própria casa após agredir a companheira, Isabele Gomes de Macedo, de 40 anos. No local estavam também os quatro filhos dela, de 1 a 7 anos. Nenhum sobreviveu. O autor do crime, Aguinaldo José Alves, de 21 anos, foi preso em flagrante.

Em São Paulo, a comerciante Evelin de Souza Saraiva, de 38 anos, foi baleada cinco vezes pelo ex-companheiro enquanto trabalhava em uma barraca de pastel. O suspeito, identificado como Bruno Lopes Fernandes Barreto, segue foragido. Segundo familiares, Evelin havia terminado o relacionamento há poucos meses e vinha sendo ameaçada de morte.

Já em Salvador, Tainara Souza Santos, de 31 anos, foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro pelo ex-namorado, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, que não aceitava o fim da relação. Ela sofreu graves ferimentos, amputou as pernas, ficou internada por 25 dias e faleceu na última quarta-feira (24). O agressor foi preso.

Violência de gênero em alta

Dados consolidados até dezembro de 2025 apontam que o número de feminicídios manteve tendência de alta pelo segundo ano consecutivo.

Entre janeiro e setembro, foram 1.075 mulheres mortas, e o crescimento das tentativas chegou a 26% em relação a 2024.

Esses números reforçam que o feminicídio segue uma epidemia silenciosa, afetando mulheres de todas as idades, classes sociais e regiões do país.

Especialistas cobram prevenção e acolhimento

Para a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, o enfrentamento da violência contra a mulher precisa ir além da punição dos agressores.

“Não basta garantir uma medida protetiva. É preciso oferecer acolhimento, geração de renda e oportunidades de trabalho. Também precisamos investir na educação desde cedo, para que meninos e meninas aprendam sobre respeito e igualdade”, afirmou.

Ela reforça que a prevenção deve começar ainda na escola e ser acompanhada de políticas públicas permanentes, como a ampliação das Delegacias da Mulher e de centros de apoio psicossocial e jurídico.

Onde buscar ajuda

Mulheres em situação de risco podem procurar Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) ou acionar os seguintes canais de emergência:

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher

Ligue 190: Polícia Militar

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