Pais reclamam de erro em matrículas escolares e Sedu promete corrigir alocações em cidades diferentes

A divulgação da lista de matrículas da rede estadual de ensino gerou insatisfação entre pais e responsáveis de várias cidades da Grande Vitória e de outras regiões do Espírito Santo. Publicada na quarta-feira (7) pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu), a chamada escolar provocou uma onda de reclamações nas redes sociais devido à alocação de alunos em escolas distantes de suas residências, em alguns casos até em outros municípios.

As famílias afirmam ter sido surpreendidas ao perceber que as vagas destinadas aos filhos não correspondiam às opções indicadas no momento da inscrição. Também houve relatos de estudantes incluídos em turmas de tempo integral sem solicitação prévia, o que impacta diretamente a rotina familiar.

Pais se dizem revoltados com falhas no sistema

Entre as queixas mais frequentes estão as dificuldades com deslocamento, segurança e incompatibilidade de horários.

“Moramos em Eldorado, na Serra, e minha filha foi colocada na Ilha das Caieiras, em Vitória. Não faz sentido algum”, lamentou uma mãe.

“Moro na Serra, mandaram meu filho para Ibiraçu. Cancelei a matrícula. Agora, ele entrou na suplência. Um absurdo!”, escreveu Keilla Marques Nogueira.

Outros pais afirmam que as decisões automáticas prejudicam toda a organização familiar.

“Organizamos nossa vida pensando em distância e horário. Ouvir que ‘não pode ser feito nada’ é revoltante. Isso mostra falta de sensibilidade com as famílias”, desabafou Rosimere Reinholz, moradora de Cariacica, cuja filha foi matriculada na Serra.

A moradora de Viana, Lu Verissimo, também manifestou indignação:

“Minha filha mora em Viana e mandaram ela para Vila Garrido, em Vila Velha. Não vai mesmo!”.

Sedu admite erro e promete correção das matrículas

O secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, reconheceu nesta quinta-feira (8) que houve falha no sistema que processa as vagas. Segundo ele, os casos serão revistos individualmente e nenhum aluno precisará estudar fora de sua cidade.

“Tivemos um problema real, pontual, mas que afetou várias famílias. Não faz sentido alguém morar em Jacaraípe (Serra) e o filho ser designado para Ilha das Caieiras (Vitória). Isso será corrigido”, garantiu o secretário em entrevista à TV.

A Sedu informou, por meio de nota, que as correções já estão em andamento e que não é necessário refazer o cadastro no sistema. Os responsáveis devem procurar a Superintendência Regional de Educação do município para esclarecimentos e readequação da vaga.

Alunos e pais temem prejuízos

Além da distância, outra reclamação recorrente diz respeito à inclusão indevida em turmas de tempo integral.

“Não inscrevi minha filha no integral, mas colocaram mesmo assim. Ela vai sair às 19h20, e nesse horário não tem ônibus no meu bairro. É perigoso e eu terei que buscá-la todos os dias”, relatou Priscila Cândido, moradora de Cariacica.

Estudantes também se manifestaram nas redes sociais, relatando cansaço, medo e incerteza sobre o futuro escolar. Alguns afirmam que podem trancar os estudos caso não consigam vaga próxima de casa.

Defensoria acompanha o caso

A Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) abriu um procedimento administrativo para investigar as falhas na distribuição das matrículas. O órgão enviou um ofício à Sedu pedindo informações e documentos sobre os casos relatados.

“A Defensoria acompanha a situação e adotará as medidas cabíveis para garantir o direito à educação de crianças e adolescentes”, informou a instituição por meio de nota.