Há exatas três décadas, em 3 de abril de 1996, o FBI encerrava uma das caçadas humanas mais longas e frustrantes da história dos Estados Unidos. Theodore “Ted” Kaczynski, um ex-professor de matemática com QI de 167, foi capturado em uma cabana rústica e isolada nos bosques de Montana.
Por quase 18 anos, ele aterrorizou o país enviando cartas-bomba, deixando os investigadores sem pistas concretas devido ao seu método de fabricação “artesanal”, utilizando materiais reciclados e objetos comuns.
A Perdição pelo Ego e pela Escrita
O mistério em torno do “Unabomber”, codinome dado pelo FBI devido aos seus alvos iniciais serem universidades (universities) e linhas aéreas (airlines), só começou a ser resolvido quando ele próprio exigiu voz pública.
- O Manifesto: Em 1995, ele prometeu cessar os ataques se o The New York Times e o The Washington Post publicassem seu ensaio de 35 mil palavras, “A Sociedade Industrial e seu Futuro”.
- A Denúncia: As palavras apaixonadas e a ideologia antitecnológica foram reconhecidas por sua cunhada, Linda Patrik, que incentivou o marido, David Kaczynski, a ler o texto. David identificou o estilo de escrita do irmão e tomou a difícil decisão de denunciá-lo às autoridades.
De Harvard ao Isolamento Total
Kaczynski não era um criminoso comum. Ele entrou em Harvard aos 16 anos e teve uma carreira acadêmica brilhante em Michigan e Berkeley antes de abandonar tudo para viver sem água corrente ou eletricidade em 1971.
- Vítimas: Seus 16 ataques deixaram três mortos e 23 feridos entre 1978 e 1995.
- Captura: Na cabana de 3×4 metros, agentes encontraram 40 mil páginas de diários detalhando seus crimes e até uma bomba pronta para ser enviada.
Condenado à prisão perpétua, Kaczynski foi diagnosticado com esquizofrenia paranoide, embora afirmasse estar são. Ele morreu em 2023, aos 81 anos, em uma prisão federal.