O prefeito de Pedro Canário, Kleilson Martins Rezende (PSB), e o ex-prefeito Bruno Teófilo Araújo foram presos na manhã desta terça-feira (26) durante a Operação Eco da Fraude II, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de corrupção, fraude em licitações, superfaturamento, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa relacionada à contratação de bandas, estruturas e rodeio para o evento “Forró da Tábua Lascada”, realizado pela prefeitura no ano passado.
Além das prisões, a decisão judicial determinou o afastamento dos dois das funções públicas por 180 dias. O prefeito foi retirado temporariamente do cargo e o ex-prefeito também deixou a função de superintendente municipal. Apesar disso, ambos continuarão recebendo seus salários durante o período de afastamento.
A medida foi assinada pelo desembargador Pedro Valls Feu Rosa, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Segundo o magistrado, a permanência dos investigados na administração municipal poderia comprometer as investigações, já que eles teriam acesso direto a documentos, servidores e setores considerados estratégicos.
A decisão também proíbe os investigados de entrar em prédios da Prefeitura de Pedro Canário e de manter contato com servidores ligados aos setores de Cultura, Licitação, Contratos, Contabilidade, Tesouraria, Controle Interno e Gabinete. De acordo com o entendimento da Justiça, essas áreas possuem ligação direta com os contratos investigados.
Outra determinação impede que os envolvidos realizem qualquer tipo de ato administrativo, mesmo de forma indireta. Eles não poderão despachar, orientar servidores ou participar de decisões relacionadas à gestão municipal.
O Tribunal ainda proibiu o contato entre todos os investigados, incluindo testemunhas, representantes de empresas citadas no inquérito e servidores públicos. Conforme a decisão, existem indícios de que mensagens e conteúdos relacionados ao caso teriam sido apagados, levantando suspeitas de tentativa de ocultação de provas.
A Justiça autorizou ainda mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados, inclusive no gabinete do prefeito. A Polícia Federal poderá recolher celulares, computadores, contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamento e outros documentos considerados importantes para o andamento da investigação.
Também foi autorizada a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados e das empresas envolvidas. A medida permite acesso a movimentações financeiras, registros telefônicos, dados de internet e declarações fiscais referentes ao período entre 2021 e 2025.
Em nota, a Prefeitura de Pedro Canário confirmou as prisões e informou que ainda analisa o conteúdo da decisão judicial, destacando que o processo tramitava em segredo de Justiça até esta terça-feira. Até o momento, não houve manifestação pública das defesas de Kleilson Martins Rezende e Bruno Araújo sobre as acusações investigadas.