GWM estuda instalar fábrica de baterias para veículos elétricos em Aracruz

A futura unidade da montadora GWM em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, poderá receber uma fábrica de baterias para veículos elétricos, ampliando o escopo do empreendimento e fortalecendo a cadeia nacional da mobilidade elétrica.

A possibilidade faz parte do planejamento da empresa para a nova operação no Estado. De acordo com o diretor de Relações Institucionais da GWM Brasil, Ricardo Bastos, o projeto foi concebido com espaço suficiente para futuras expansões, incluindo a fabricação de componentes considerados estratégicos para a indústria de veículos eletrificados.

Segundo o executivo, a montadora conta com uma empresa especializada na produção de baterias, responsável por abastecer parte significativa da demanda global do grupo. Essa estrutura tecnológica poderá ser integrada ao projeto desenvolvido em Aracruz, conforme o avanço das próximas etapas do investimento.

O anúncio foi reforçado durante a cerimônia de lançamento da fábrica, realizada em um terreno de aproximadamente 1,7 milhão de metros quadrados, localizado às margens da ES-257, em Barra do Riacho.

A proposta da GWM é transformar o Espírito Santo em um centro estratégico para a produção de veículos eletrificados no Brasil. A intenção é que a unidade seja capaz de fabricar não apenas automóveis, mas também componentes essenciais, como baterias e motores elétricos, contribuindo para ampliar a nacionalização da cadeia produtiva do setor.

O complexo industrial será desenvolvido com o conceito de produção multienergia, permitindo a fabricação de veículos elétricos, híbridos e modelos com motores a combustão. A flexibilidade da linha permitirá adequações conforme o comportamento do mercado nos próximos anos. A expectativa da empresa é iniciar as operações no começo de 2029, período em que os modelos híbridos e elétricos deverão representar a maior parte da demanda.

A implantação de uma fábrica de baterias também pode ampliar o valor agregado da indústria capixaba, consolidando o Estado como um polo de tecnologia e inovação, além de sua tradicional atuação na logística e no comércio exterior.

Outro fator apontado como estratégico é a presença de grandes empresas instaladas no Espírito Santo, capazes de fornecer matéria-prima para a cadeia automotiva. Essa integração poderá fortalecer a produção nacional de veículos e reduzir a dependência de componentes importados.

A escolha de Aracruz para receber a segunda fábrica da GWM no Brasil também despertou interesse de outras empresas do segmento automotivo. Conforme a diretora-presidente da Nova ES, Patrícia Gouvêa, desde o anúncio da instalação da montadora, diversas companhias procuraram o Estado em busca de informações sobre oportunidades de investimento.

Segundo ela, o empreendimento amplia a visibilidade do Espírito Santo como destino para novos projetos industriais e pode impulsionar a formação de um novo setor econômico voltado à indústria automotiva.

O investimento total previsto para o complexo industrial pode chegar a R$ 4,6 bilhões. A capacidade máxima estimada é de até 200 mil veículos por ano, com potencial para gerar cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos.

Na primeira etapa, cuja construção deve começar ainda este ano, a expectativa é produzir até 100 mil veículos anualmente, com investimentos entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,9 bilhões e geração de aproximadamente 5 mil postos de trabalho. As fases seguintes deverão ampliar a capacidade produtiva para 200 mil unidades por ano a partir de 2030.