Os primeiros reflexos do Super El Niño devem começar a ser sentidos no Espírito Santo a partir de agosto, segundo as projeções meteorológicas mais recentes. A principal atualização em relação às previsões anteriores é a possibilidade de o fenômeno permanecer ativo por mais tempo, com impactos que podem se estender até abril do próximo ano.
O cenário foi apresentado nesta terça-feira (14) durante a primeira reunião do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), criado pelo Governo do Estado para coordenar ações de prevenção e resposta aos efeitos do fenômeno climático.
Entre os principais impactos esperados estão a elevação das temperaturas, períodos prolongados de estiagem, redução da regularidade das chuvas e maior probabilidade de incêndios florestais em diversas regiões capixabas.
Durante o encontro, foi definida a criação de dois grupos técnicos especializados. Um deles será responsável pelo acompanhamento da situação da estiagem, enquanto o outro monitorará os riscos relacionados aos incêndios florestais. As análises serão realizadas semanalmente para subsidiar novas medidas, caso sejam necessárias.
As autoridades também informaram que um terceiro núcleo poderá ser criado para acompanhar episódios de chuvas intensas, embora as projeções atuais indiquem predominância de tempo seco nos próximos meses.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e influencia o comportamento das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões do planeta.
No Espírito Santo, os registros históricos mostram que o fenômeno costuma favorecer temperaturas mais elevadas, redução das chuvas, estiagem e aumento dos focos de incêndio. Apesar disso, episódios isolados de chuva forte ainda podem ocorrer.
Por que este evento é considerado um Super El Niño?
Os modelos meteorológicos apontam que o fenômeno apresenta intensidade acima do normal e, principalmente, uma duração maior do que a observada em eventos anteriores, ampliando seus possíveis impactos.
Desafios para o Estado
A principal preocupação é a possibilidade de um período prolongado de seca, o que pode afetar o abastecimento de água, a agricultura e aumentar significativamente o risco de queimadas.
A Defesa Civil orienta a população a adotar medidas de uso consciente da água, seguir as recomendações dos órgãos oficiais e evitar qualquer prática que possa provocar incêndios, especialmente durante os meses mais secos, quando a combinação de calor, baixa umidade do ar e ventos intensos favorece a rápida propagação das chamas.