O Espírito Santo terá 503 produtos impactados pela nova sobretaxa de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos sobre mercadorias ligadas à investigação de trabalho forçado. Os itens representam mais de R$ 5,5 bilhões em exportações, o equivalente a 38,2% de tudo o que o Estado vende ao mercado norte-americano.
A medida foi anunciada pelo governo dos EUA após uma investigação conduzida com base na Seção 301 do Escritório de Comércio norte-americano. O relatório apontou que diversos países, entre eles o Brasil, além da União Europeia, não adotaram mecanismos considerados suficientes para impedir ou fiscalizar a entrada de produtos fabricados com uso de trabalho forçado.
Com a nova cobrança, somada à tarifa de 25% divulgada anteriormente, 485 produtos capixabas passarão a ser taxados em 37,5% para ingressar no mercado dos Estados Unidos. Outros 18 itens sofrerão apenas a nova sobretaxa de 12,5%, enquanto 12 produtos permanecerão sujeitos exclusivamente à tarifa de 25%. Além disso, 160 mercadorias ficaram de fora das duas listas e seguem isentas.
O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, ressaltou que a decisão tem potencial para afetar significativamente a economia capixaba, já que os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações do Estado.
Segundo ele, cerca de 27% de tudo o que o Espírito Santo exportou em 2025 teve como destino o mercado norte-americano, movimentando aproximadamente R$ 14,24 bilhões.
Baraona defendeu que o fortalecimento do diálogo entre Brasil e Estados Unidos é o caminho mais adequado para preservar as relações comerciais e reduzir os impactos das novas tarifas. Paralelamente, destacou a importância de ampliar a presença dos produtos capixabas em outros mercados internacionais, diminuindo a dependência das vendas para os EUA.
Setor de rochas naturais está entre os mais afetados
Entre os segmentos mais prejudicados está o de rochas naturais. Produtos como granitos, mármores e ardósias, que não foram incluídos nas listas de exceções, passarão a acumular a tarifa de 25% com a nova sobretaxa de 12,5%, totalizando 37,5%.
Em 2025, esse segmento respondeu por cerca de US$ 208 milhões (aproximadamente R$ 1,1 bilhão) em exportações.
Já os quartzitos brasileiros permaneceram livres da tarifa adicional de 25%, mas serão atingidos pela nova cobrança de 12,5%.
A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) afirmou que o aumento da carga tributária tende a dificultar ainda mais a competitividade dos materiais brasileiros frente aos principais concorrentes internacionais. A entidade também reforçou que as empresas do setor seguem a legislação vigente e não possuem relação com práticas de trabalho forçado