Uefa ameaça boicotar competições da Fifa após proposta de abrir Copa do Mundo a investidores

A possibilidade de mudanças no modelo de gestão das competições da Fifa provocou uma forte reação da Uefa. As 55 federações nacionais que integram a entidade europeia aprovaram, em reunião extraordinária, a adoção de um boicote às competições organizadas pela Fifa caso avance a proposta de permitir a participação de investidores privados na Copa do Mundo e em outros torneios.

A decisão foi tomada após a apresentação de um plano defendido pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, que prevê a criação de uma nova subsidiária para receber investimentos privados minoritários em competições da entidade.

A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) também manifestou oposição ao projeto. As 41 associações filiadas à entidade rejeitaram a proposta durante uma reunião realizada nesta quinta-feira (30), aumentando a pressão sobre a direção da Fifa.

Em nota oficial, a Uefa afirmou que a Copa do Mundo representa um patrimônio histórico do futebol e não deve ser tratada como um ativo financeiro. Segundo a entidade, a competição foi construída ao longo de décadas por jogadores, seleções e torcedores de todo o mundo e não pode ser transferida para investidores privados.

Caso a proposta seja aprovada pelos membros da Fifa, o boicote poderá atingir todas as competições organizadas pela entidade, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina, além do Mundial de Clubes.

O projeto ainda depende da aprovação das 211 associações nacionais filiadas à Fifa. Para entrar em vigor, será necessário obter pelo menos 106 votos favoráveis. Somadas, Uefa e Concacaf reúnem 96 votos, número insuficiente para barrar a proposta sozinhas, mas que representa uma parcela significativa da entidade.

Como parte da iniciativa, a Fifa pretende criar a empresa Fifa Forward Enterprise (FFE), que receberia investimentos privados sem transferência do controle da organização. A entidade informou que o grupo de investidores seria liderado pela empresa norte-americana Thrive Eternal, caso a proposta seja aprovada.

Em comunicado divulgado após a reunião, a Uefa criticou a forma como o projeto foi elaborado, afirmando que uma mudança dessa magnitude não poderia ter sido desenvolvida sem diálogo com as federações responsáveis pela administração do futebol mundial.

A votação sobre o futuro da proposta deverá ocorrer nas próximas semanas, definindo se o novo modelo de investimentos será implementado ou se enfrentará resistência suficiente para impedir sua aprovação.