Crise na Apex: tentativa de novo empréstimo e aumento da dívida entram no foco

A crise financeira envolvendo a Apex Partners ganhou novos elementos após a revelação de que a empresa tentou obter novos recursos antes do agravamento da situação. Segundo informações apresentadas no processo de reorganização da companhia, o fundador e presidente afastado, Fernando Cinelli, buscou alternativas para reforçar o caixa da plataforma.

Uma das tentativas teria ocorrido junto ao BTG Pactual, onde foi solicitado um empréstimo de pelo menos R$ 100 milhões. A operação, porém, não avançou. Também houve uma tentativa de captar recursos junto a funcionários da empresa, mas a iniciativa não teria obtido sucesso.

Pouco tempo depois, Cinelli foi afastado da administração da Apex pelos demais sócios, sob alegações relacionadas à condução da empresa.

Capitalização não foi concluída

Antes do agravamento da crise, os sócios da Apex haviam aprovado uma operação de aumento de capital no valor de R$ 176,5 milhões. O recurso, no entanto, não chegou a ser incorporado ao caixa da companhia.

De acordo com os documentos apresentados à Justiça, a deterioração da situação financeira acabou impedindo a conclusão da operação. A retomada da capitalização está entre os objetivos da reorganização pretendida pela empresa.

A busca por novos recursos ganhou importância diante do crescimento expressivo do endividamento registrado nos últimos meses.

Dívida chegou a quase R$ 1 bilhão

Uma análise contábil e financeira realizada pelos sócios apontou que a dívida da Apex passou de R$ 413 milhões em janeiro de 2025 para R$ 985,6 milhões em junho de 2026.

Isso representa um aumento de mais de R$ 570 milhões em aproximadamente um ano e meio.

Segundo a documentação apresentada pela empresa, parte significativa do aumento do endividamento foi direcionada para investimentos em fundos, veículos financeiros e operações de fusões e aquisições que não geraram retorno de caixa no período analisado.

No primeiro semestre de 2026, a empresa também registrou novos compromissos financeiros relacionados ao déficit operacional e a custos financeiros e fiscais.

Situação dos ativos preocupa

Além do crescimento da dívida, os documentos apontam para uma deterioração da carteira de ativos da companhia. Outro ponto de atenção envolve empréstimos que possuem garantias prestadas por instituições bancárias.

A combinação entre o aumento do endividamento, a necessidade de novos recursos e a dificuldade para concluir operações de capitalização elevou a pressão financeira sobre a empresa.

A Justiça já concedeu uma medida de proteção patrimonial solicitada pela Apex, enquanto a companhia busca reorganizar sua situação financeira.

Auditoria deverá analisar as contas

O próximo passo deverá envolver uma análise mais detalhada das operações financeiras realizadas pela empresa. Uma auditoria externa ainda deverá ser contratada para examinar as contas e ajudar a esclarecer a origem do aumento das obrigações e a situação dos ativos.

A crise coloca sob análise as decisões financeiras tomadas nos últimos meses e os caminhos possíveis para recuperar a capacidade de caixa da Apex.