“Cemitério”, lendas e animais: as curiosidades por trás dos nomes dos bairros de Vitória

Alguns fazem referência à presença indígena e à história do Espírito Santo. Outros estão ligados a personagens, características da região e até a lendas sobre figuras misteriosas. São histórias que ajudam a contar a trajetória da capital, mas que nem sempre são conhecidas pelos próprios moradores.

E já que amanhã, 8 de setembro, Vitória completa 475 anos, HZ resolveu entrar nessa viagem pelo passado e investigar a origem de alguns dos nomes mais curiosos dos bairros da capital. Afinal, por trás de cada nome pode existir uma história. E algumas são bem mais surpreendentes do que parecem.

Barro Vermelho

A colunista registrou a coloração do céu no Barro Vermelho, em Vitória, na última terça-feira (1)Renata Rasseli | A Gazeta

A partir da década de 1960, o Barro Vermelho começou a se consolidar com o avanço da urbanização da região. O bairro recebeu esse nome por uma característica marcante do terreno: o solo argiloso, de coloração avermelhada, que predominava por ali.

Mas a história do local guarda uma curiosidade: o Barro Vermelho quase se tornou o cemitério de Vitória. Durante o Plano Novo Arrabalde, um dos primeiros projetos de planejamento e expansão urbana da capital capixaba, a área chegou a ser considerada para a instalação de um cemitério. A escolha estava relacionada justamente ao tipo de solo, cuja argila vermelha era considerada favorável para esse tipo de finalidade, além da localização estratégica da região, próxima ao centro da cidade.

Jardim Camburi

Jardim CamburiRicardo Medeiros

Jardim Camburi é o bairro mais populoso de Vitória. E se fosse um município independente, teria uma população maior do que a de várias cidades do Espírito Santo, ocupando a 10ª posição entre os municípios mais populosos do Estado. O nome do bairro também guarda uma história curiosa.

“Jardim” é uma denominação comum em nomes de loteamentos. Já “Camburi” tem origem tupi-guarani e possui dois significados atribuídos à palavra. Um deles é “rio de robalos”, em referência ao peixe que era abundante na região próxima à praia de Camburi.

A outra interpretação seria “rio sinuoso” ou “rio que muda”, uma referência ao antigo curso d’água da região. A foz do rio mudava de trajeto com facilidade de acordo com a ação das marés e das correntes, característica que teria inspirado o nome.

Quem circula por Vitória está acostumado a ouvir nomes como Barro Vermelho, Jardim Camburi, Maruípe, Jucutuquara, Goiabeiras e Bento Ferreira. Mas muitos desses nomes carregam histórias que vão muito além de uma simples identificação geográfica.

As denominações de diferentes regiões da capital capixaba foram influenciadas por características do território, pela presença dos povos indígenas, por antigos cursos d’água e pelo processo de crescimento urbano da cidade.

Às vésperas do aniversário de 475 anos de Vitória, celebrado em 8 de setembro, conhecer a origem desses nomes também é uma maneira de entender um pouco mais sobre a formação da capital.

Barro Vermelho quase virou cemitério

O nome Barro Vermelho está relacionado a uma característica bastante evidente do terreno que existia na região: a presença de solo argiloso com tonalidade avermelhada.

A área ganhou maior ocupação a partir da segunda metade do século XX, acompanhando o processo de expansão urbana de Vitória. Antes disso, porém, o local chegou a ser considerado para uma finalidade bem diferente.

Durante o planejamento conhecido como Novo Arrabalde, elaborado para orientar a expansão da cidade, a região foi avaliada como possível área para a implantação de um cemitério.

Entre os fatores que chamavam a atenção estava justamente o tipo de solo existente no local. A localização também era considerada estratégica em relação à área mais central da cidade.

O projeto, no entanto, não foi adiante. O bairro acabou seguindo outro caminho e, com o crescimento urbano, passou a integrar uma das áreas valorizadas da capital.

Jardim Camburi e a influência indígena

Um dos bairros mais conhecidos e populosos de Vitória também possui um nome relacionado à história indígena e às características naturais da região.

A palavra “Jardim” aparece em diversos nomes de loteamentos e faz referência à forma como o empreendimento urbano foi denominado. Já “Camburi” possui origem atribuída ao tupi-guarani.

Há diferentes interpretações para o significado do termo. Uma delas relaciona Camburi à ideia de “rio de robalos”, fazendo referência à presença desse peixe na região.

Outra interpretação associa o nome à característica do antigo curso d’água existente no local, que apresentava mudanças em seu percurso. A influência das marés e das correntes contribuía para alterações na região próxima à foz.

Assim, o nome Jardim Camburi reúne uma denominação ligada à ocupação urbana mais recente com uma palavra que remete à presença indígena e às características naturais do território.

Nomes que ajudam a contar a história da capital

As denominações dos bairros de Vitória funcionam como pequenas pistas sobre diferentes períodos da formação da cidade.

Alguns nomes preservam referências de origem indígena, enquanto outros nasceram de características físicas do território ou foram associados a pessoas, acontecimentos e antigas formas de ocupação.

Por isso, caminhar pelos bairros da capital também pode ser uma maneira de conhecer parte da história capixaba. Em muitos casos, o significado de um nome permanece no cotidiano mesmo depois que a paisagem ao redor passa por grandes transformações.

Ao completar 475 anos, Vitória mantém em seus bairros marcas de diferentes épocas. São nomes que, além de facilitar a localização dos moradores, preservam fragmentos da memória e da identidade da cidade.