Motociclistas pedem “faixa azul” no ES para reduzir acidentes e garantir segurança

Motociclistas do Espírito Santo estão se mobilizando para garantir mais segurança no trânsito com a criação de faixas exclusivas para motos — conhecidas como “faixa azul” — nas principais vias da Grande Vitória. A proposta, inspirada em iniciativas de São Paulo, visa acabar com os tradicionais “corredores” entre carros e ônibus, reduzindo os riscos de colisões e atropelamentos.

Segundo dados do Observatório de Segurança Pública, o número de motociclistas mortos no Estado disparou em 2025. De janeiro a abril, foram registrados 146 óbitos de condutores, ultrapassando o total de 2024, quando 138 motociclistas perderam a vida nas vias capixabas. A maioria das vítimas é composta por homens entre 15 e 24 anos.

O assunto foi discutido ao vivo nesta sexta-feira (25) na Rádio CBN Vitória (92,5 FM), em um bate-papo especial sobre o Dia do Motociclista, celebrado em 27 de julho. Participaram da conversa Wilson Fly, coordenador do Motoclube Bodes do Asfalto e do Fórum Permanente Estadual, e Luciano Ferreira, presidente do Sindicato dos Mototaxistas (Sindimototaxi).

Acidentes causados pela pressa e falta de orientação

Para Wilson Fly, a pressa e o comportamento de risco são grandes causadores de acidentes. Ele destaca que muitos motociclistas usam o veículo como meio de transporte, trabalho ou lazer, e que a formação deficiente no processo de habilitação também é um problema.

“Acredito que muitos acidentes são causados pela pressa e pela tentativa de demonstrar habilidade em locais indevidos. Também discutimos muito sobre a forma como os motociclistas são habilitados. Fazer só o circuito não garante que a pessoa esteja pronta para enfrentar o trânsito”, afirmou Fly.

Luciano Ferreira acrescentou que os motoboys — que prestam serviços de entrega — enfrentam pressão constante dos patrões, que muitas vezes não cumprem as leis trabalhistas nem exigem condições adequadas de trabalho.

“O patrão quer que o lanche chegue rápido, não se preocupa com a vida do motociclista. É isso que mais nos preocupa. O sindicato orienta os trabalhadores, mas muitos não estão sindicalizados e acabam se expondo ao risco”, destacou.

Faixa exclusiva: segurança no lugar do improviso

Durante a entrevista, os convidados defenderam a criação de faixas exclusivas para motocicletas. Luciano pontuou que a “faixa azul” é diferente do corredor improvisado que os motociclistas utilizam hoje em avenidas movimentadas.

“Corredor não é faixa. Vimos faixas exclusivas para ônibus e táxis na Grande Vitória. Por que não para motos também? Isso traria muito mais segurança para todos”, questionou.

Os representantes estiveram recentemente na Câmara de Vitória promovendo uma audiência pública sobre o tema, com o objetivo de sensibilizar o poder público e a sociedade. Fly contou ainda que esteve em São Paulo conhecendo de perto a experiência da “faixa azul”, onde os resultados já demonstram redução nos acidentes.

“As motos não têm asas. Se não existe corredor, por onde elas estão passando? O fato é que hoje elas estão disputando espaço, e isso é perigoso. A faixa azul ajuda a organizar o trânsito e reduz os conflitos”, afirmou.

Conscientização e desafios

Apesar dos avanços, os líderes dos motociclistas destacaram que a conscientização ainda é um dos maiores desafios. Muitos profissionais seguem as regras e dirigem com responsabilidade, mas acabam sendo penalizados por ações impensadas em situações de pressão.

“Às vezes o trabalhador sindicalizado, com carteira assinada, é pressionado para fazer uma entrega urgente e acaba cometendo uma infração. Depois, ele é multado ou denunciado. Isso gera um desgaste desnecessário”, observou Fly.

A mobilização pela faixa exclusiva é mais um passo na luta por um trânsito mais seguro e igualitário. Os motociclistas esperam que a pauta avance nas discussões municipais e estaduais, promovendo mudanças reais para quem vive o trânsito todos os dias.