O governo do Espírito Santo e representantes da indústria capixaba receberam com alívio parcial a publicação da lista de 694 produtos brasileiros isentos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, conforme ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump nesta quarta-feira (30).
Entre os principais produtos que ficaram de fora da taxação estão minério de ferro, aço, petróleo, celulose e quartzito, o que representa uma vitória para importantes cadeias produtivas do Estado. A tarifa entra em vigor no dia 6 de agosto, e não mais no dia 1º como inicialmente previsto.
O vice-governador Ricardo Ferraço, que coordena o comitê estadual criado para avaliar os impactos do tarifaço, afirmou que o momento é de atenção e continuidade das negociações:
“Veio uma lista maior de exceções do que esperávamos, o que é positivo. Mas ainda temos produtos importantes de fora, como café, gengibre e pescado. Seguiremos mobilizados com o setor e o governo federal para minimizar impactos e preservar empregos”, destacou.
Alívio parcial, mas desafios persistem
Neste ano, um terço das exportações capixabas teve como destino os Estados Unidos. Dados do Observatório da Indústria apontam que 64 municípios do Estado podem ser afetados diretamente pelo tarifaço, com destaque para Serra, Aracruz, Anchieta, Vitória e Cachoeiro de Itapemirim, responsáveis por 82,3% das exportações ao mercado norte-americano.
O presidente da Findes, Paulo Baraona, celebrou as isenções, mas alertou para a “segregação” de setores:
“A medida beneficia parte da indústria, mas outros segmentos ficam expostos. O governo federal precisa seguir nas negociações, pois a competitividade do Brasil está em jogo”.
No setor de rochas ornamentais, o quartzito, responsável por 40% das exportações de chapas polidas para os EUA, ficou de fora da tarifa. Ainda assim, Giovanni Franchischetto, do Centrorochas, apontou que o impacto permanece alto:
“A notícia alivia, mas não resolve. Ainda temos grande parte da produção sob risco”, afirmou.
Reuniões com empresas e medidas de apoio
Durante a reunião do comitê, realizada na tarde desta quarta (30), representantes de gigantes como Suzano, ArcelorMittal, Vale, Samarco e do setor do café participaram das discussões.
A ArcelorMittal, por exemplo, estimou R$ 1,2 bilhão de perdas em 2024 com as tarifas anteriores. Já a Suzano apontou que o impacto maior se dará sobre o papel, enquanto a celulose permanece isenta.
A empresa Centrorochas anunciou que promoverá um evento na Embaixada do Brasil em Washington, nesta sexta-feira (1º), para tratar dos efeitos do tarifaço e fortalecer o diálogo institucional.
Governo do ES vai manter apoio às empresas
Ricardo Ferraço reafirmou que o governo estadual continuará atuando com medidas de apoio aos setores prejudicados, com foco em preservação do emprego e da atividade econômica.
Entre as ações avaliadas estão o uso de créditos acumulados de ICMS e outras medidas emergenciais. “Vamos usar todas as ferramentas possíveis para apoiar a travessia das empresas capixabas neste cenário internacional desafiador”, reforçou.
O comitê capixaba continuará dialogando com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, para ampliar as isenções e proteger a economia local.