Os capixabas têm demonstrado maior capacidade de quitar dívidas e reorganizar o orçamento familiar, segundo levantamento do Connect Fecomércio-ES, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), referente ao mês de outubro. O estudo revela um cenário de confiança e controle financeiro crescentes entre as famílias do Estado.
O destaque vai para as famílias com renda acima de 10 salários mínimos (R$ 15.180): 20% afirmaram ter condições de quitar integralmente os débitos, um aumento de 1,8 ponto percentual em relação ao mês anterior. Ao mesmo tempo, o percentual das famílias que disseram não ter condições de pagar dívidas em atraso caiu de 50% para 44%, o que sinaliza melhora significativa.
“Esse resultado reforça o amadurecimento do consumidor capixaba, que tem buscado reorganizar seu orçamento e renegociar compromissos, reduzindo a inadimplência de longo prazo”, destacou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.
Famílias de renda mais baixa também mostram avanço
Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, a percepção de capacidade de quitação de dívidas também melhorou, ainda que de forma mais modesta. Em outubro, 21% afirmaram ter condições de regularizar os débitos no mês seguinte, uma alta de 0,3 ponto percentual.
Apesar de 88,3% das famílias ainda possuírem algum tipo de dívida parcelada, o movimento é considerado positivo pelos analistas, pois reflete um consumo mais planejado e compatível com a renda disponível.
“O cenário aponta para um consumo mais responsável, com o crédito sendo usado de forma planejada e compatível com a renda”, completou Spalenza.
Endividamento estável e comportamento mais consciente
O estudo mostra que o nível geral de endividamento no Espírito Santo permaneceu praticamente estável em relação a setembro, mas já registra queda na comparação anual, passando de 89,3% em 2024 para 88,3% em 2025.
Segundo a Fecomércio, essa mudança reflete um consumo mais seletivo, especialmente com a aproximação de datas como a Black Friday e o Natal.
Entre as famílias de menor renda, o comprometimento da renda com dívidas varia entre 11% e 50% do salário mensal. Já entre as famílias de renda mais alta, 41,4% comprometem cerca de 10% da renda, o que cria maior margem para consumo e investimento futuro.
Uso equilibrado do crédito fortalece o setor
Para o 3º vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, o uso responsável do crédito é essencial para a sustentabilidade econômica.
“O crédito é uma ferramenta de desenvolvimento, desde que utilizado com planejamento. Quando o consumidor busca crédito, demonstra confiança no futuro e disposição para consumir. Um nível de endividamento em torno de 30% da renda familiar é considerado saudável, desde que haja controle do prazo e da capacidade de pagamento”, explicou Bergamin.
Famílias de maior renda usam mais crédito de longo prazo
O levantamento também apontou diferenças no perfil de crédito entre as faixas de renda.
Famílias com maior poder aquisitivo têm recorrido a financiamentos imobiliários e de veículos.
Já os grupos de renda mais baixa ainda dependem mais de crédito pessoal e carnês para compras parceladas.
Mesmo assim, o estudo revela um movimento geral de cautela e amadurecimento financeiro entre todos os segmentos.
“O consumidor tem se mostrado mais atento ao impacto das dívidas no orçamento e às condições do crédito contratado. Essa postura é positiva, pois contribui para a redução da inadimplência e fortalece a sustentabilidade financeira no Estado”, finalizou Spalenza.