O governador Ricardo Ferraço intensificou sua articulação política em Vitória e deu mais um passo para consolidar sua base de apoio na capital capixaba. Em reunião realizada na Ilha de Santa Maria, o emedebista se encontrou com nove vereadores, em um movimento que sinaliza avanço direto sobre um território historicamente ligado ao ex-prefeito Lorenzo Pazolini.
Dos parlamentares presentes, oito já formalizaram apoio à reeleição do governador. Um dos pontos que mais chamam atenção é que seis desses vereadores integravam anteriormente a base política de Pazolini na Câmara Municipal.
A articulação do encontro foi organizada pelo vereador Maurício Leite, enquanto a recepção ocorreu em um espaço vinculado ao vereador Camillo Neves.
Falta de diálogo motivou aproximação
A principal justificativa apresentada pelos parlamentares para a mudança de posicionamento foi a ausência de diálogo com a atual gestão municipal. Segundo Camillo Neves, o encontro também serviu para tratar dessa insatisfação.
“O que discutimos foi tanto o apoio ao governador quanto a dificuldade de interlocução com o Executivo municipal”, relatou.
O vereador André Brandino foi o único presente que ainda não oficializou apoio, embora tenha sinalizado alinhamento. Ele destacou que há simpatia pelo projeto político de Ferraço e indicou que seu partido tende a caminhar junto ao governador.
Estratégia de fortalecimento na capital
Essa foi a segunda reunião de Ricardo Ferraço com lideranças de Vitória em menos de uma semana, reforçando uma estratégia clara de fortalecimento político na capital.
Durante o encontro, o governador reafirmou o compromisso com investimentos no município e destacou a importância do diálogo institucional.
“Nada vai nos afastar de continuar trabalhando pela nossa capital. Aqui há respeito e diálogo com todos”, afirmou.
Crise na Câmara acelerou mudanças
Nos bastidores, a crise interna na Câmara de Vitória tem sido determinante para o reposicionamento de parte dos vereadores. O conflito teve início na disputa pela definição da data da eleição da Mesa Diretora, gerando um racha entre os parlamentares.
Um grupo de 16 vereadores chegou a denunciar interferências externas no processo. O caso acabou sendo levado ao Supremo Tribunal Federal, que decidiu que a eleição interna será realizada em outubro.