A popularização dos chamados óculos inteligentes voltou a acender discussões sobre privacidade e uso responsável da tecnologia. Equipados com câmeras discretas, microfones e recursos de inteligência artificial, esses dispositivos começam a ganhar espaço no mercado enquanto também acumulam críticas relacionadas a gravações sem consentimento.
Os modelos mais populares atualmente são os desenvolvidos pela Meta em parceria com a Ray-Ban. Os óculos permitem tirar fotos, gravar vídeos, ouvir música, atender chamadas e acessar funções de inteligência artificial com comandos simples, muitas vezes sem que as pessoas ao redor percebam que estão sendo filmadas.
Nos últimos meses, vídeos gravados em locais públicos sem autorização passaram a circular nas redes sociais, principalmente mostrando abordagens feitas por usuários dos dispositivos. Em muitos casos, as pessoas gravadas só descobrem a exposição após as imagens viralizarem na internet.
A legislação de diversos países permite registros em espaços públicos, o que torna difícil contestar judicialmente esse tipo de conteúdo. Ainda assim, especialistas alertam para os impactos éticos e sociais provocados pela facilidade de gravar situações do cotidiano de maneira praticamente imperceptível.
Outra preocupação envolve o uso dos dados captados pelos aparelhos. Trabalhadores responsáveis por revisar conteúdos para treinamento de inteligência artificial relataram ter acesso a vídeos sensíveis e gravações feitas involuntariamente por usuários, incluindo cenas privadas e situações íntimas.
Apesar das polêmicas, as vendas seguem em alta. A Meta afirma que milhões de unidades já foram comercializadas, transformando os óculos inteligentes em um dos segmentos de tecnologia com crescimento mais acelerado dos últimos anos.
Outras gigantes do setor também se preparam para entrar nesse mercado. Apple, Google e Snap trabalham em projetos próprios que devem unir inteligência artificial e realidade aumentada em novos modelos previstos para os próximos anos.
Usuários afirmam que os dispositivos oferecem praticidade no dia a dia, especialmente para ouvir música, atender chamadas e registrar momentos sem precisar usar o celular. Mesmo assim, muitos reconhecem que os mecanismos de aviso de gravação, como pequenas luzes nos aparelhos, podem passar despercebidos.
Especialistas avaliam que, caso os óculos inteligentes se tornem populares em larga escala, será cada vez mais difícil controlar gravações em ambientes onde filmagens costumam ser proibidas, como hospitais, cinemas, museus, tribunais e banheiros.