As quatro pessoas mortas durante uma chacina em Flexal II, em Cariacica, no último sábado (23), eram conhecidas por não aceitarem a atuação do tráfico de drogas na região e por enfrentarem imposições feitas por criminosos à comunidade. A informação foi divulgada pela Polícia Militar em entrevista coletiva realizada neste domingo (24).
As vítimas foram identificadas como Hélio da Silva Souza, Ruan Carlos da Silva Ribeiro, Jean de Castro Souza e Carlos Daniel Rocha dos Santos. Um quinto homem atingido pelos disparos foi socorrido e levado para um hospital da Grande Vitória.
Segundo a polícia, três das vítimas pertenciam à mesma família — pai, filho e genro — enquanto a quarta era amiga do grupo.
Família teria contrariado interesses de traficantes
De acordo com as investigações iniciais, os homens trabalhavam na limpeza de um terreno quando foram surpreendidos por criminosos armados, que efetuaram diversos disparos.
O tenente-coronel Anderson Prado Correia afirmou que as vítimas não tinham ligação direta com o tráfico e que demonstravam resistência à atuação criminosa na localidade.
A principal linha investigativa aponta que a família teria desagradado integrantes do tráfico ao impedir que o terreno fosse utilizado para esconderijo de drogas e outras atividades ilegais.
Informações reunidas pela polícia indicam ainda que o conflito entre a família e membros da facção Terceiro Comando Puro (TCP) já vinha de anos anteriores.
Segundo o boletim policial, Hélio e os filhos eram moradores antigos da região, conhecidos pela criação de cavalos e gado, sem envolvimento com atividades criminosas.
O documento aponta também que um dos filhos de Hélio teria sido assassinado anteriormente por traficantes, diante da própria família. Desde então, os familiares passaram a demonstrar oposição mais firme à presença criminosa no bairro.
Polícia investiga relatos de intimidação
Durante a coletiva, o comandante comentou denúncias de que traficantes estariam impondo uma espécie de “reverência” aos moradores da região quando criminosos passassem pelas ruas.
Segundo ele, a informação ainda está sendo investigada, mas seria uma prática incomum no Espírito Santo.
O oficial destacou que o possível comportamento pode estar relacionado aos conflitos anteriores envolvendo a família atacada.
Ainda segundo Prado, atitudes de intimidação tendem a gerar reação negativa da própria comunidade e podem facilitar o trabalho das forças de segurança.
Dois suspeitos foram presos
Após o ataque, equipes da Polícia Militar realizaram buscas e prenderam dois suspeitos.
A Polícia Civil informou que um homem de 28 anos foi autuado em flagrante por quatro homicídios duplamente qualificados e tentativa de homicídio também duplamente qualificada.
Outro suspeito, de 31 anos, foi preso por tráfico de drogas.
Durante as diligências, os policiais apreenderam drogas e uma arma de fogo que pode ter sido utilizada no crime. O material será submetido à perícia.
Os dois suspeitos foram encaminhados ao sistema prisional.
Policiamento reforçado em Flexal II
Após a chacina, a Polícia Militar reforçou o policiamento em Flexal II e informou que segue em busca de outros envolvidos no ataque.
Segundo a corporação, um dos suspeitos apontados como liderança criminosa da região está foragido do sistema prisional desde uma saída temporária de Natal.
A PM informou que continuará realizando operações e intensificando a presença policial no bairro nos próximos dias.