Corpus Christi transforma Castelo em cenário de fé, arte e tradição no Sul do Espírito Santo

As ruas de Castelo, no Sul do Espírito Santo, ganharam cores, formas e significados especiais nesta quinta-feira (4) durante mais uma celebração de Corpus Christi. Reconhecida nacionalmente pela grandiosidade dos tapetes confeccionados para a data, a cidade reuniu moradores, voluntários, fiéis e turistas em uma demonstração de religiosidade que atravessa gerações.

Mesmo com o tempo instável e a presença da chuva em alguns momentos do dia, a movimentação foi intensa nas áreas decoradas. As vias do município foram transformadas em verdadeiras galerias a céu aberto, com desenhos e símbolos religiosos produzidos para celebrar a solenidade católica dedicada à Eucaristia.

Além dos tapetes, residências, estabelecimentos comerciais e a Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha receberam decoração especial para marcar a festividade. O tema escolhido para a próxima edição da celebração também já foi apresentado aos participantes: “Eucaristia, o Cordeiro de Deus”.

A tradição atrai visitantes de diversas partes do Espírito Santo e até de outros estados. Entre eles estavam famílias que percorreram centenas de quilômetros para conhecer de perto a celebração e admirar o trabalho desenvolvido pelos voluntários.

Considerada uma das maiores manifestações do gênero no país, a festa mobiliza mais de três mil pessoas na produção dos tapetes. Ao longo de cerca de 1,5 quilômetro de extensão, são montados painéis e passadeiras que retratam passagens bíblicas e momentos marcantes da história cristã.

A riqueza dos detalhes é resultado do uso de diversos materiais naturais e recicláveis. Pedra moída, granitos coloridos, cipreste, flores, vidro reciclado, tampinhas plásticas, palha de café e outros elementos compõem as obras que tomam conta das ruas da cidade durante a celebração.

Entre os destaques deste ano está o retorno de plantas tradicionais que marcaram a história dos tapetes de Corpus Christi em Castelo. A flor conhecida como crista-de-galo e o cipreste voltaram a ocupar espaço de destaque nas composições após um trabalho de cultivo desenvolvido para garantir o fornecimento das espécies.

Segundo relatos da comunidade, a presença dessas plantas ajuda a preservar uma das características mais marcantes da celebração: o aroma típico que toma conta das ruas após a chuva e durante a passagem dos fiéis.

A importância da festa também foi ressaltada por autoridades e moradores, que destacam o envolvimento voluntário da população como um dos pilares da tradição. Para muitos, a celebração representa não apenas um ato de fé, mas também uma demonstração de união comunitária e valorização cultural.

Uma tradição que atravessa gerações

A história dos tapetes de Corpus Christi em Castelo começou ainda no final da década de 1950. Na época, era comum ornamentar ruas e residências para a passagem das procissões religiosas.

O primeiro tapete confeccionado na cidade surgiu em 1963, produzido com flores e folhas em frente à Capela de Nossa Senhora das Graças. No ano seguinte, a iniciativa foi ampliada para o centro do município e passou a envolver um número crescente de moradores.

Com o passar dos anos, a tradição se fortaleceu, conquistou reconhecimento nacional e se tornou um dos principais símbolos culturais e religiosos do Espírito Santo. Em 2026, a celebração chega à sua 63ª edição, mantendo viva uma história construída pela fé e pelo trabalho coletivo da comunidade.