A Polícia Civil prendeu, na noite de quinta-feira (18), Sérgio Bassini Masioli, apontado como responsável pelo acidente que resultou na morte de uma família de quatro pessoas na BR-101, em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo. A tragédia ocorreu na véspera do Natal de 2025 e, segundo as investigações, o motorista deixou o local sem prestar socorro às vítimas.
A captura aconteceu na região de Carapina, na Serra, após equipes de inteligência identificarem que o suspeito viajava em um ônibus de turismo com destino ao Estado de São Paulo. Após a abordagem, ele foi encaminhado para a Delegacia Regional de Aracruz.
A prisão foi realizada em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça de Jaguaré. A decisão ocorreu após o recebimento da denúncia apresentada pelo Ministério Público, tornando o investigado réu no processo.
De acordo com a Polícia Civil, a Justiça considerou insuficientes as medidas cautelares anteriormente aplicadas. Entre os fatores destacados estão o risco à ordem pública, a possibilidade de interferência na investigação e indícios de tentativa de ocultação de provas.
As apurações apontam que Bassini teria consumido bebida alcoólica por várias horas antes do acidente e assumido a direção do veículo mesmo diante de alertas de familiares. A polícia também menciona registros de episódios anteriores envolvendo direção sob efeito de álcool.
Outro ponto considerado foi o contato mantido pelo acusado com testemunhas e pessoas feridas após o acidente. Além disso, os investigadores relataram que ele teria retornado à região do sinistro utilizando um detector de metais, supostamente para localizar um objeto perdido durante a fuga.
O motorista responde por quatro acusações de homicídio simples com dolo eventual, entendimento adotado pelas autoridades diante das circunstâncias do caso, incluindo excesso de velocidade, embriaguez e abandono do local após a colisão. Também foi denunciado por lesões corporais causadas a outras vítimas envolvidas no acidente, além de omissão de socorro e condução de veículo sob influência de álcool.
Tragédia na BR-101
O acidente deixou quatro mortos: o advogado Denis Carlos Rolim, de 43 anos, sua esposa Valdenice Alves de Oliveira, de 39 anos, e as filhas do casal, Débora Vitória Alves Rolim, de 10 anos, e Sara Cristina Alves Rolim, de 7 anos. Outras três pessoas ficaram feridas em veículos atingidos na sequência da colisão.
Segundo o inquérito, a caminhonete conduzida por Bassini trafegava a cerca de 143 km/h em um trecho onde o limite permitido era de 60 km/h. O veículo atingiu a traseira do carro da família, provocando o deslocamento do automóvel para a pista contrária e desencadeando novas colisões.
As investigações concluíram que, após o impacto, o motorista abandonou o local sem prestar qualquer assistência às vítimas.
Depoimentos e investigação
Durante a apuração, a Polícia Civil enfrentou dificuldades para ouvir dois motoristas que testemunharam o acidente. Diante da ausência inicial de colaboração, foi necessária autorização judicial para condução coercitiva dos envolvidos aos depoimentos.
Segundo o delegado responsável pelo caso, os dois relataram ter recebido contato do advogado de Bassini, que teria informado sobre o pagamento de despesas médicas. Conforme os depoimentos, cada um recebeu R$ 11 mil para custear tratamentos decorrentes do acidente.
A defesa do acusado não se pronunciou sobre a prisão até o momento.