O avanço da produção de petróleo do pré-sal tem impulsionado investimentos na infraestrutura portuária brasileira. Terminais em diferentes regiões do país estão ampliando sua capacidade para atender ao crescimento das exportações da commodity, atualmente um dos principais produtos da pauta comercial brasileira.
Entre os projetos em andamento está a adaptação do Porto Sudeste, no Rio de Janeiro, que investe cerca de R$ 180 milhões para ampliar operações de transbordo de petróleo entre embarcações, modalidade conhecida como ship-to-ship. A iniciativa foi planejada diante da expectativa de aumento contínuo da produção nacional nos próximos anos.
Esse tipo de operação permite que navios responsáveis pela coleta de petróleo nas plataformas do pré-sal transfiram a carga para superpetroleiros destinados às viagens internacionais. A estratégia reduz custos logísticos e aumenta a eficiência do transporte até mercados consumidores na Europa, Ásia e outras regiões.
Os números do setor refletem esse crescimento. Empresas especializadas em operações de transbordo registraram aumento significativo no volume movimentado nos últimos anos, acompanhando a expansão da produção nacional de petróleo.
Além do Porto Sudeste, o Porto do Açu também investe na ampliação de sua estrutura. O terminal trabalha para aumentar sua capacidade operacional e ampliar o atendimento a navios de grande porte, incluindo embarcações com capacidade para transportar até dois milhões de barris de petróleo.
No Espírito Santo, o projeto do Porto Logística, da Imetame, em Aracruz, também prevê atuação nesse mercado. O empreendimento, estimado em R$ 2,5 bilhões, contempla estrutura voltada para operações de transbordo de petróleo e foi desenvolvido para receber embarcações de grande porte, fortalecendo a participação do Estado na cadeia logística do setor de óleo e gás.
Recentemente, o projeto firmou parceria com uma empresa internacional do segmento portuário para ampliar sua atuação na movimentação de cargas e contêineres, sem deixar de lado a estratégia de atender ao crescimento das exportações de petróleo.
A Petrobras também estuda ampliar a capacidade do Terminal da Baía da Ilha Grande (Tebig), no Rio de Janeiro. A proposta prevê melhorias na infraestrutura para aumentar o número de atracações e atender à expansão da produção nacional, respeitando as etapas de licenciamento ambiental e diálogo com as comunidades da região.
Especialistas do setor avaliam que os investimentos são fundamentais para acompanhar o ritmo de crescimento da indústria petrolífera brasileira. Com a produção do pré-sal registrando sucessivos recordes em 2026, a expectativa é de que a demanda por infraestrutura logística continue aumentando ao longo dos próximos anos.