O primeiro título estadual de Bryan Pereira pelo Porto Vitória veio acompanhado de um significado especial. Descendente do povo Tupiniquim e natural da Aldeia Pau-Brasil, em Aracruz, o jovem foi peça importante na conquista do Campeonato Capixaba Sub-11, vencido pela equipe nos pênaltis.
A decisão começou complicada para o Porto Vitória. O Doze abriu o placar ainda no primeiro tempo, colocando pressão sobre a equipe. Na etapa final, porém, Bryan entrou em campo e participou diretamente da reação.
O atacante sofreu uma falta e assumiu a cobrança. A bola foi levantada para a área e, após uma falha do goleiro adversário, sobrou para o zagueiro Artur Rosa empatar a partida. Com o placar igual, a definição do campeão foi para as penalidades.
Bryan voltou a aparecer. O jovem converteu sua cobrança e ajudou o Porto Vitória a confirmar o pentacampeonato estadual da categoria Sub-11.
Para o jogador, o momento teve um significado que ultrapassou o resultado esportivo.
“Foi a hora em que eu pensei que era a minha oportunidade. Fiquei muito feliz. Foi a primeira vez que fui campeão estadual de futebol”, contou.
Do futebol na aldeia para o campeonato estadual
A trajetória de Bryan começou nos campos de sua própria comunidade. Na Aldeia Pau-Brasil, ele acompanhava o pai, Maik Pereira, durante as partidas realizadas entre integrantes dos povos indígenas.
O interesse pelo futebol cresceu e, posteriormente, Bryan passou a disputar jogos na comunidade. Foi também nesse ambiente que começou a chamar atenção por uma característica que hoje faz parte de sua identidade esportiva: os grafismos tradicionais de seu povo pintados no corpo durante as partidas.
A prática ganhou repercussão nas redes sociais em 2025. O desempenho do garoto despertou o interesse do Porto Vitória, que o convidou para participar de uma avaliação.
Depois de algumas semanas de treinamentos, Bryan foi aprovado e passou a integrar a equipe.
Grafismos representam ancestralidade e proteção
Dentro das quatro linhas, Bryan não deixa sua cultura de lado. As pinturas que utiliza durante os jogos representam, segundo ele, elementos relacionados à espiritualidade, ancestralidade e proteção.
Para o jovem, entrar em campo com os grafismos é uma maneira de manter viva a ligação com suas origens e apresentar sua cultura a outras pessoas.
A decisão de permitir que Bryan levasse os grafismos para o futebol também foi discutida dentro da família. O pai conta que inicialmente existia preocupação com possíveis situações de preconceito, mas a experiência mostrou que a presença das pinturas também despertava interesse e curiosidade.
Assim, o próprio jogador passou a explicar o significado dos símbolos e a compartilhar aspectos de sua cultura.
Um título que representa mais do que futebol
A conquista pelo Porto Vitória marca o primeiro título estadual de Bryan no futebol e representa mais um passo em sua trajetória esportiva.
O nome indígena do jovem, Irãguasu, significa “grande futuro”. Aos poucos, Bryan começa a transformar essa ideia em realidade dentro dos campos, conciliando o desenvolvimento como atleta com a valorização de sua ancestralidade.
A atuação na final do Capixaba Sub-11 reforçou justamente essa combinação: talento esportivo, identidade cultural e o orgulho de representar suas raízes enquanto constrói os primeiros capítulos de sua carreira no futebol.