Sintomas neurológicos que surgem de maneira recorrente ou sem explicação aparente devem ser investigados, principalmente quando vêm acompanhados de alterações motoras, visuais ou de equilíbrio
Sensações como formigamento, dormência, cansaço intenso e alterações na visão podem parecer problemas passageiros do cotidiano. No entanto, quando esses sinais aparecem repetidamente, duram mais tempo ou surgem sem uma causa evidente, é importante procurar avaliação médica. Em alguns casos, eles podem estar associados à esclerose múltipla (EM).
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central, formado pelo cérebro e pela medula espinhal. A condição ocorre quando o sistema imunológico ataca a bainha de mielina, estrutura que envolve e protege as fibras nervosas.
Quando a mielina é danificada, a comunicação entre o cérebro e diferentes regiões do corpo pode ser prejudicada. Por isso, a doença pode provocar manifestações variadas, atingindo funções relacionadas aos movimentos, à sensibilidade, à visão, ao equilíbrio e até à capacidade de concentração.
Segundo dados do Ministério da Saúde, aproximadamente 2,8 milhões de pessoas vivem com esclerose múltipla em todo o mundo. No Brasil, estimativas da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla apontam cerca de 40 mil pessoas diagnosticadas.
Sintomas podem aparecer em episódios
Uma das características da doença é a diversidade de manifestações. Na forma mais frequente, os sintomas podem surgir durante períodos conhecidos como surtos. Esses episódios podem durar dias ou semanas e, posteriormente, apresentar melhora.
Essa característica pode dificultar o reconhecimento da doença nos estágios iniciais. Muitas vezes, sintomas como dormência ou alterações visuais são atribuídos ao estresse, ao cansaço ou a outras condições.
Entre os principais sinais que merecem atenção estão:
- Alterações na visão: visão turva ou dupla, redução parcial da capacidade de enxergar e dor ao movimentar os olhos;
- Formigamento e dormência: sensação de agulhadas, choques ou redução da sensibilidade nos braços, pernas, mãos, pés ou em uma parte do corpo;
- Fraqueza muscular: dificuldade para movimentar braços ou pernas, caminhar, subir escadas ou realizar atividades que antes eram simples;
- Problemas de equilíbrio e coordenação: tontura, instabilidade, dificuldade para andar ou movimentos menos precisos;
- Fadiga intensa: cansaço que não corresponde ao esforço realizado e pode dificultar atividades rotineiras;
- Alterações cognitivas: dificuldade de concentração, memória, raciocínio ou para encontrar determinadas palavras;
- Mudanças urinárias: aumento da frequência ou urgência para urinar, dificuldade para esvaziar a bexiga ou episódios de perda urinária.
Ter um desses sintomas isoladamente não significa que a pessoa tenha esclerose múltipla. Existem diversas outras condições que podem provocar manifestações semelhantes. Por isso, a avaliação de um profissional de saúde é fundamental.
Como é feito o diagnóstico
Não existe um único exame capaz de confirmar a esclerose múltipla. O diagnóstico é realizado pelo neurologista a partir da combinação entre o histórico clínico do paciente, o exame neurológico e exames complementares.
A ressonância magnética do cérebro e da medula espinhal é um dos principais recursos utilizados na investigação. Em determinadas situações, o médico também pode solicitar exames laboratoriais e a análise do líquor, líquido que circula ao redor do cérebro e da medula.
A identificação da doença o mais cedo possível é importante porque permite iniciar o acompanhamento e definir uma estratégia terapêutica antes que ocorram novos danos neurológicos.
Tratamento é individualizado
A esclerose múltipla ainda não possui cura, mas existem tratamentos capazes de controlar a atividade da doença, diminuir a ocorrência de surtos e reduzir o risco de progressão da incapacidade.
A escolha da terapia depende de fatores como o tipo e a atividade da doença, os sintomas apresentados e as características individuais do paciente. Atualmente, existem medicamentos administrados por diferentes vias, incluindo opções injetáveis, orais e infusionais.
Além do tratamento medicamentoso, o acompanhamento médico regular é importante para monitorar a evolução da doença e ajustar a estratégia sempre que necessário.
A condição costuma ser diagnosticada principalmente em adultos jovens e apresenta maior frequência entre mulheres. Por ser uma doença multifatorial, seu desenvolvimento está associado à combinação de predisposição genética e fatores ambientais ao longo da vida.
Quando procurar ajuda
Sintomas neurológicos persistentes, recorrentes ou que aparecem de maneira repentina, especialmente alterações na visão, perda de sensibilidade, fraqueza muscular, problemas de equilíbrio ou fadiga fora do habitual, devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Quanto mais cedo uma possível alteração neurológica for investigada, maiores são as possibilidades de identificar sua causa e iniciar o tratamento adequado.