Três pessoas foram presas durante uma operação da Polícia Civil que investiga o sequestro de uma adolescente de 16 anos, ocorrido em março deste ano, em Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo. A vítima é parente, por afinidade, de um apostador que recebeu um prêmio de aproximadamente R$ 99,5 milhões da Mega-Sena.
A ação, denominada Operação Sorte Reversa, foi realizada neste fim de semana e resultou na prisão de duas mulheres na Bahia e de um homem no Espírito Santo. As detenções ocorreram nas cidades de Teixeira de Freitas, no sul baiano, e Linhares, no Norte capixaba.
Segundo as investigações, as duas mulheres têm 29 anos. Uma delas foi presa na sexta-feira (11), enquanto a outra foi localizada neste domingo (13), ambas em Teixeira de Freitas. O homem foi encontrado na manhã de sábado (12), em Linhares. As identidades dos suspeitos não foram divulgadas.
A investigação aponta que uma das mulheres teria sido responsável por alugar o veículo utilizado durante o crime. A outra é suspeita de ter participado diretamente da ação que levou ao sequestro da adolescente.
A operação contou com a participação de equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar da Bahia, além de agentes da Polícia Penal do Espírito Santo e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo da Secretaria da Casa Militar.
Como ocorreu o sequestro
O crime aconteceu em 16 de março. De acordo com as investigações, o sequestro teria sido planejado por um detento que estava preso em Teixeira de Freitas, na Bahia. O suspeito teria tomado conhecimento de que um morador de Barra de São Francisco havia recebido sozinho o prêmio milionário da Mega-Sena e, a partir disso, elaborado um plano para atingir familiares do ganhador.
O objetivo inicial seria sequestrar uma neta do milionário. Como os criminosos não conseguiram encontrar a pessoa inicialmente escolhida, a adolescente de 16 anos acabou sendo abordada. Ela tinha vínculo familiar por afinidade com o ganhador, mas não possuía parentesco sanguíneo com ele.
Ainda conforme a investigação, integrantes do grupo viajaram da Bahia até o Espírito Santo e chegaram à residência da vítima em um carro. Um dos envolvidos teria simulado estar passando mal e pedido água à adolescente.
Quando a jovem voltou com o copo, dois homens teriam saído do veículo, agarrado a vítima e fugido do local.
A adolescente foi levada para um cativeiro em Nova Viçosa, na Bahia. Dois dias depois, em 18 de março, equipes policiais conseguiram localizar o imóvel e resgatar a jovem.
Durante a ação de resgate, houve troca de tiros com um dos suspeitos. Ele morreu no confronto. No local, os policiais encontraram um revólver, um veículo com registro de roubo e aproximadamente 800 gramas de drogas.
Família viveu momentos de desespero
Durante o período em que a adolescente permaneceu desaparecida, a família enfrentou horas de angústia e incerteza. Após o resgate, a mãe da jovem relatou o desespero vivido enquanto aguardava notícias sobre a filha.
Segundo ela, foram dias marcados por choro, medo e orações. A mãe afirmou que chegou a fazer promessas e permanecer em jejum durante o período em que a adolescente esteve desaparecida.
A investigação continua para esclarecer a participação de todos os envolvidos e identificar outras pessoas que possam ter contribuído para o planejamento e a execução do sequestro.