Um evento biológico raríssimo desafiou os pesquisadores da Universidade Nacional da Colômbia: o nascimento de gêmeos de pais distintos. O caso, registrado originalmente em 2018, é um dos cerca de 20 episódios documentados em toda a literatura científica mundial, sendo classificado como superfecundação heteropaternal.
O fenômeno foi descoberto após uma mulher solicitar um teste de DNA rotineiro para confirmar a paternidade de seus filhos, na época com dois anos. Para a surpresa dos geneticistas, enquanto o perfil genético de um dos meninos coincidia perfeitamente com o do suposto pai, o do outro apresentava incompatibilidade total, confirmando que cada bebê foi gerado por um progenitor diferente.
A precisão do diagnóstico genético
Para chegar a essa conclusão extraordinária, os cientistas utilizaram a técnica de marcadores microssatélites. O processo envolve a análise de fragmentos específicos do DNA (entre 15 a 22 pontos) que são comparados entre mãe, filhos e o suposto pai.
Através de um procedimento químico e do uso de equipamentos de eletroforese, os pesquisadores convertem as amostras biológicas em sequências numéricas. No caso colombiano, os testes foram repetidos rigorosamente para descartar qualquer erro processual, ratificando a raridade do evento.
Por que o fenômeno é tão raro?
A ocorrência de gêmeos de pais diferentes exige uma combinação improvável de fatores biológicos e temporais:
Poliovulação: A mulher precisa liberar dois óvulos em um único ciclo menstrual.
Janela de Tempo: As relações sexuais com homens diferentes devem ocorrer em um intervalo muito curto (geralmente entre 24 a 72 horas), antes que os óvulos percam a viabilidade.
Sucesso na Fecundação: Ambos os óvulos precisam ser fecundados com sucesso por espermatozoides de doadores distintos.
Especialistas apontam que, embora seja um fenômeno atípico, o aumento no acesso a testes de paternidade moleculares pode revelar mais casos semelhantes no futuro, que antes passariam despercebidos pela sociedade.