Ex-esposa e filha denunciam anos de violência e perseguição por empresário do setor de alimentação em Vitória

Após décadas de convivência marcadas por episódios de violência, uma comerciante de Vitória decidiu romper o silêncio e expor a trajetória de sofrimento que enfrentou ao lado do ex-marido. A mulher afirma ter sido vítima de agressões, perseguições e intimidações ao longo dos 31 anos de relacionamento.

O caso envolve o empresário Walmir Balestrero, proprietário de uma pizzaria localizada no bairro Tabuazeiro, na Capital. Ele está preso desde maio deste ano, após ser detido sob suspeita de perseguir a ex-esposa. Anteriormente, em agosto de 2025, também havia sido preso após uma agressão contra a própria filha dentro do estabelecimento comercial da família.

Pela primeira vez, a ex-companheira, Luciana Aparecida Vieira Trancoso, e a filha do casal, Júlia Vieira Balestrero, decidiram falar publicamente sobre os episódios que marcaram suas vidas. Segundo Luciana, compartilhar sua história é uma forma de incentivar outras mulheres que enfrentam situações semelhantes a buscarem ajuda.

Ela relata que, mesmo após o término da relação e a divisão do patrimônio, o ex-marido não aceitou o fim do casamento. De acordo com a comerciante, os episódios de perseguição se intensificaram nos últimos meses.

A prisão mais recente ocorreu em Vitória. Conforme informações do caso, o empresário teria seguido a ex-esposa pelas ruas da cidade. A Polícia Militar foi acionada e realizou a detenção. Na ocasião, ele negou as acusações e afirmou que apenas seguia para realizar compras destinadas ao seu estabelecimento comercial.

Luciana afirma que os acontecimentos aumentaram sua preocupação com a própria segurança. Segundo ela, mesmo após audiências judiciais relacionadas ao processo de separação, acreditava que o ex-companheiro compreenderia que o relacionamento havia chegado ao fim.

A filha do casal também revelou que já havia denunciado o pai anos antes. Ela contou que registrou uma ocorrência por agressão quando ainda era adolescente, mas que o caso não teve o desdobramento esperado.

Em agosto do ano passado, uma nova agressão foi registrada por câmeras de segurança dentro da pizzaria da família. Segundo o relato de Júlia, o episódio teve início após um desentendimento envolvendo um entregador do estabelecimento. A discussão teria provocado a reação violenta do pai.

Após o ocorrido, a jovem deixou a residência da família. A decisão foi um dos fatores que motivaram Luciana a encerrar definitivamente o casamento e procurar proteção judicial.

A comerciante conseguiu uma medida protetiva, mas afirma que continuou sendo alvo de perseguições. Ela relata que era seguida em deslocamentos pela cidade e que pessoas teriam sido utilizadas para monitorar sua rotina.

Apesar dos traumas vividos, mãe e filha afirmam que encontraram apoio mútuo para reconstruir suas vidas. As duas destacam que a união familiar tem sido fundamental para superar os momentos difíceis e buscar uma rotina mais tranquila.

Dados recentes mostram que o descumprimento de medidas protetivas continua sendo um desafio no Espírito Santo. Somente nos quatro primeiros meses de 2026, mais de 1,3 mil registros desse tipo foram contabilizados no Estado.

A defesa de Walmir Balestrero ainda pode se manifestar sobre as acusações apresentadas pelas duas mulheres.