Retocolite ulcerativa: 5 alimentos que podem piorar os sintomas durante as crises

A retocolite ulcerativa é uma doença inflamatória crônica que atinge principalmente o intestino grosso e o reto. Entre os sintomas mais comuns estão diarreia, dores abdominais, necessidade urgente de evacuar e, em alguns casos, presença de sangue nas fezes.

A alimentação não é considerada a causa da doença, mas determinados alimentos podem desencadear ou intensificar sintomas em alguns pacientes. A tolerância, entretanto, varia de uma pessoa para outra e pode mudar conforme a doença esteja controlada ou em fase de crise.

De acordo com o gastroenterologista Paulo Roberto Bertoletto, não existe uma relação universal de alimentos que precisam ser retirados da dieta de todos os pacientes. Durante períodos de maior atividade da doença, porém, algumas escolhas podem aumentar a diarreia, a distensão abdominal e a urgência para evacuar.

Confira cinco alimentos que podem exigir atenção:

1. Café

O café pode estimular o funcionamento do intestino por causa da cafeína. Para algumas pessoas com retocolite, isso pode aumentar a frequência das evacuações e a sensação de urgência.

Durante uma crise, quem percebe piora dos sintomas após consumir café pode avaliar, com orientação profissional, a redução ou suspensão temporária da bebida.

2. Leite

O leite pode provocar desconfortos principalmente em pessoas que também apresentam intolerância à lactose. Nesses casos, gases, inchaço abdominal e diarreia podem se somar aos sintomas provocados pela própria doença.

Isso não significa, entretanto, que todas as pessoas com retocolite precisem abandonar leite e derivados. Quando existe intolerância, produtos sem lactose ou outras alternativas podem ser considerados para ajudar a manter a ingestão adequada de cálcio e nutrientes.

3. Alimentos muito apimentados

Molhos e preparações com grande quantidade de pimenta podem funcionar como gatilhos para determinados pacientes.

A resposta é individual, mas, durante períodos de crise, alimentos muito condimentados podem aumentar o desconforto gastrointestinal. Por isso, vale observar se existe relação entre o consumo e a piora dos sintomas.

4. Pipoca

A pipoca pode ser mais difícil de tolerar durante fases de atividade da doença devido à quantidade de fibras e às partes mais resistentes do milho.

O mesmo cuidado pode ser necessário com sementes, cascas e outros alimentos ricos em fibras insolúveis, principalmente quando o paciente está enfrentando diarreia ou aumento na frequência das evacuações.

5. Frituras

Batatas fritas, salgadinhos, pastéis e outras preparações muito gordurosas podem causar ou intensificar diarreia, gases e desconforto abdominal em algumas pessoas.

Durante períodos de maior sensibilidade intestinal, preparações assadas, cozidas ou grelhadas podem ser alternativas mais fáceis de tolerar. Também é importante evitar grandes quantidades de gordura de uma só vez.

A textura também pode fazer diferença

Durante uma crise, não é apenas o tipo de alimento que pode influenciar os sintomas. A maneira como ele é preparado também pode interferir na tolerância.

Frutas sem casca, cozidas ou amassadas, por exemplo, podem ser melhor aceitas pelo organismo do que frutas cruas e com casca. Algo semelhante pode acontecer com vegetais cozidos em comparação com os consumidos crus.

Por isso, a alimentação precisa ser adaptada às necessidades de cada pessoa e ao estágio da doença.

Evite retirar alimentos sem orientação

Apesar de alguns alimentos poderem piorar os sintomas, eliminar diversos itens da dieta por conta própria pode trazer consequências. Restrições exageradas podem favorecer perda de peso e deficiência de nutrientes, especialmente quando o paciente já apresenta diarreia frequente ou redução do apetite.

O objetivo deve ser identificar quais alimentos são realmente mal tolerados e ajustar a alimentação de acordo com o momento clínico.

A retocolite ulcerativa é uma condição crônica que necessita de acompanhamento médico. Mudanças na alimentação podem ajudar no controle dos sintomas e na manutenção do estado nutricional, mas não substituem o tratamento indicado pelo especialista.