Tabagismo favorece o entupimento das artérias, prejudica a circulação das pernas e aumenta o risco de complicações cardiovasculares
Quando se fala nos prejuízos provocados pelo cigarro, é comum pensar primeiro em problemas pulmonares e câncer. Porém, o tabagismo também exerce efeitos importantes sobre o sistema circulatório. As substâncias presentes na fumaça podem lesar os vasos sanguíneos, dificultar a passagem do sangue e aumentar o risco de doenças vasculares.
O alerta ganha destaque em 29 de agosto, data do Dia Nacional de Combate ao Fumo. A ocasião reforça a importância de conhecer os impactos do cigarro e os benefícios de abandonar o hábito.
Um dos principais problemas relacionados ao tabagismo é a aterosclerose, processo em que ocorre o acúmulo de placas nas paredes das artérias. Com o avanço desse quadro, o espaço disponível para a passagem do sangue pode diminuir progressivamente e, em situações mais graves, chegar à obstrução.
Quando a circulação fica comprometida, os tecidos e órgãos que dependem daquele fluxo sanguíneo passam a receber menos oxigênio e nutrientes. Os efeitos podem aparecer em diferentes partes do corpo, mas as pernas estão entre as regiões em que os primeiros sinais podem ser percebidos.
Dor nas pernas pode ser um sinal de alerta
Um dos sintomas associados à redução do fluxo sanguíneo nos membros inferiores é a chamada claudicação intermitente. A pessoa pode sentir dor, principalmente na panturrilha, durante uma caminhada ou outro esforço físico. Normalmente, o desconforto melhora depois de alguns minutos de descanso.
À medida que o problema vascular evolui, a dor pode aparecer mesmo quando o indivíduo está parado. Outro sinal importante são feridas que apresentam dificuldade para cicatrizar.
Em casos avançados, a falta de circulação pode provocar lesões graves nos tecidos, aumentando o risco de necrose, gangrena e até amputação.
Por isso, dores recorrentes nas pernas durante atividades físicas, mudanças na coloração ou temperatura dos membros e ferimentos que não cicatrizam adequadamente devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Nicotina interfere nos vasos
A nicotina é uma das substâncias que contribuem para os efeitos cardiovasculares do cigarro. Ela pode provocar a contração dos vasos sanguíneos e elevar a pressão arterial, aumentando a sobrecarga sobre o sistema circulatório.
Outro componente preocupante é o monóxido de carbono. Ao ser inalado, ele interfere na capacidade do sangue de transportar oxigênio. A combinação desses efeitos contribui para aumentar o estresse sobre os vasos e pode favorecer complicações cardiovasculares.
O risco tende a ser ainda maior quando o tabagismo está associado a outros fatores, como pressão alta, diabetes, colesterol elevado e triglicérides alterados.
Fumaça também prejudica quem não fuma
Os riscos não se limitam à pessoa que consome diretamente o cigarro. Quem permanece em ambientes onde há fumaça de tabaco também pode ser exposto a substâncias prejudiciais.
O chamado tabagismo passivo está relacionado a impactos negativos sobre a saúde cardiovascular e reforça a importância de manter ambientes livres da fumaça do cigarro, especialmente em locais frequentados por crianças e pessoas com maior vulnerabilidade.
Cigarro eletrônico também exige atenção
A substituição do cigarro convencional por dispositivos eletrônicos não significa eliminar os riscos. Muitos desses produtos contêm nicotina e podem expor o organismo a outras substâncias.
A nicotina continua capaz de produzir efeitos sobre o sistema cardiovascular, incluindo alterações nos vasos sanguíneos e na pressão arterial. Por isso, os dispositivos eletrônicos não devem ser encarados como uma opção completamente livre de consequências para a saúde.
Parar de fumar traz benefícios
Abandonar o cigarro é uma das principais medidas para reduzir os riscos relacionados ao tabagismo. O organismo começa a apresentar mudanças positivas após a interrupção do consumo, e os benefícios se acumulam com o passar do tempo.
A interrupção do hábito contribui para diminuir os riscos cardiovasculares e vasculares, além de reduzir a exposição contínua às substâncias tóxicas presentes na fumaça.
Para quem deseja parar de fumar, o acompanhamento de profissionais de saúde pode facilitar o processo. A avaliação médica também permite identificar outros fatores de risco e estabelecer estratégias adequadas para cada pessoa.
A adoção de atividade física regular, alimentação equilibrada e acompanhamento de pressão arterial, glicemia e colesterol também ajuda na proteção do sistema cardiovascular.
Mesmo quem fuma há muitos anos pode se beneficiar ao abandonar o hábito. Quanto mais cedo ocorre a interrupção, maiores são as oportunidades de reduzir os danos associados ao tabagismo e preservar a saúde dos vasos sanguíneos.