Empresas e cooperativas deverão informar detalhes sobre encontros políticos realizados com funcionários; apuração envolve suspeitas de assédio eleitoral e abuso de poder econômico
A Justiça Eleitoral do Espírito Santo solicitou esclarecimentos a 18 empresas e cooperativas sobre reuniões realizadas com funcionários e que tiveram a participação de candidatos nas eleições de 2026. O objetivo é verificar se houve possíveis práticas de assédio eleitoral ou abuso de poder econômico durante esses encontros.
A determinação partiu do corregedor regional eleitoral, desembargador Arthur José Neiva de Almeida, em decisão publicada na segunda-feira (7). As empresas não são apontadas como alvo da investigação, mas foram chamadas a fornecer informações que possam ajudar na apuração.
A medida foi tomada após uma ação apresentada pela coligação “Agora é o Futuro”, ligada à candidatura de Ricardo Ferraço (MDB) ao governo do Espírito Santo. O pedido questiona encontros envolvendo Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato ao governo, e sua vice, Eliane Leal (PL).
Entre as informações solicitadas estão dados sobre quem participou das reuniões e qual era a relação dessas pessoas com as empresas. As organizações também terão que informar se os encontros ocorreram durante o expediente e quanto tempo duraram.
A Justiça quer saber ainda quem organizou ou autorizou cada reunião e como os trabalhadores foram comunicados sobre os encontros. Caso tenham sido utilizados convites, circulares, e-mails ou mensagens internas, as empresas deverão apresentar cópias desses materiais.
Outro ponto da apuração é verificar se houve algum tipo de orientação ou pedido da direção ou de superiores para que funcionários comparecessem às reuniões. A Justiça também pretende identificar se a participação ocorreu de maneira espontânea.
Os encontros ainda serão analisados quanto ao conteúdo político. As empresas deverão informar se houve pedidos de voto ou apoio eleitoral, apresentação de propostas de campanha ou utilização de materiais políticos, como bandeiras e adesivos.
Empresas terão prazo para responder
As 18 empresas e cooperativas receberam prazo de dez dias para apresentar os esclarecimentos solicitados pela Justiça Eleitoral. Os estabelecimentos estão distribuídos entre a Grande Vitória e municípios do interior e atuam em diferentes segmentos.
A lista inclui Ajellso, Cervejaria Dus Grillo, Cooabriel, Coopram, Dinâmica Alimentos, E&L On Line, E&L Produções de Software, Extrabom (Grupo Coutinho), Extrafruti, Fardin Doces e Alimentos, Fardin Metalúrgica, Grupo Argalit, Jolivan Transportes, Paletitas, Placas do Brasil, Pomar, Refrigerante Coroa e Samarco.
Parte das empresas informou que ainda não havia sido oficialmente comunicada sobre a decisão ou sobre a ação. Algumas afirmaram que pretendem apresentar os esclarecimentos necessários quando forem formalmente notificadas.
A Cervejaria Dus Grillo declarou que não possui vínculo político e que recebe visitantes independentemente de partido ou preferência eleitoral. A empresa também ressaltou que a presença de uma pessoa em suas instalações não representa, por si só, apoio ou envolvimento político.
Já empresas como Extrafruti, Grupo Argalit, Jolivan Transportes e Samarco informaram que ainda não tiveram acesso formal ao conteúdo da ação ou não haviam recebido comunicação da Justiça Eleitoral.
O caso será analisado a partir das informações prestadas pelas empresas. Os dados poderão auxiliar a Justiça Eleitoral na avaliação sobre a existência ou não de irregularidades nos encontros realizados durante o período eleitoral.