Furtos e roubos de bicicletas elétricas aumentam 283% em um ano no Espírito Santo

Os casos de furto e roubo de bicicletas elétricas cresceram de forma expressiva no Espírito Santo em 2026. Entre janeiro e agosto, foram registradas 679 ocorrências envolvendo esse tipo de veículo, enquanto, nos oito primeiros meses de 2025, foram contabilizados 177 casos.

Os números representam uma alta de 283,6% em um ano. Na prática, a quantidade de registros ficou quase quatro vezes maior no período analisado.

Os dados do Observatório da Segurança Pública mostram que as ocorrências aumentaram ao longo do ano. Em janeiro, foram 52 registros e, em fevereiro, 53. O maior número foi registrado em julho, quando 144 casos chegaram às estatísticas.

Aumento da circulação

Para o delegado Fábio Simas, do 2º Distrito Policial de Vitória, uma das explicações para o crescimento está na maior presença das bicicletas elétricas nas ruas.

Segundo ele, a popularização desse meio de transporte também aumentou o interesse de criminosos, que podem tentar revender os veículos inteiros ou comercializar peças separadamente.

O delegado afirma ainda que o crescimento desse tipo de crime também vem sendo observado em outras regiões do país, principalmente em grandes cidades onde as bicicletas elétricas ganharam espaço como alternativa de mobilidade.

Vítima foi derrubada durante assalto

Uma promotora de vendas de Vila Velha está entre as vítimas desse tipo de crime. Ela havia comprado uma bicicleta elétrica para facilitar o deslocamento entre a casa e o trabalho e ainda estava pagando o veículo quando foi assaltada.

O crime ocorreu em abril, na Avenida Carlos Lindenberg, em Ataíde. Segundo o relato da vítima, um homem saiu de uma área de vegetação e bloqueou sua passagem.

Ela contou que o suspeito não esperou que descesse da bicicleta. Durante a abordagem, foi derrubada no asfalto e sofreu escoriações no punho e no quadril, além de dores que exigiram uso de medicamentos.

A vítima afirmou que já tinha receio de ser assaltada e que o episódio deixou marcas emocionais. Por segurança, a identidade dela não foi divulgada.

Falta de placa dificulta identificação

Um dos obstáculos para a fiscalização das bicicletas elétricas é a ausência de uma placa externa de identificação semelhante à utilizada em carros e motocicletas.

Nos veículos emplacados, policiais conseguem consultar rapidamente a situação durante abordagens, blitzes e sistemas de monitoramento. No caso das bicicletas elétricas, a identificação depende de outras características do equipamento.

Uma alternativa é o número de série. O código é exclusivo de cada bicicleta e pode estar gravado em partes do chassi ou em outras áreas do veículo, dependendo do modelo.

Por isso, a recomendação é que o proprietário registre esse número e informe o dado no boletim de ocorrência caso a bicicleta seja roubada ou furtada. A informação pode auxiliar na identificação e recuperação do veículo.

Registro rápido pode ajudar nas buscas

Em caso de roubo ou furto, a orientação é registrar a ocorrência o quanto antes e comunicar o crime às autoridades. Informações como marca, modelo, características específicas e número de série devem ser incluídas no registro sempre que estiverem disponíveis.

Também é possível utilizar os canais de emergência e denúncia para comunicar o crime e contribuir com as investigações.

Cuidados para evitar roubos e furtos

Entre as medidas recomendadas estão o uso de cadeados e travas adequadas, inclusive dispositivos que dificultem a movimentação das rodas. Rastreadores e equipamentos de localização também podem aumentar as chances de encontrar o veículo após um crime.

Em estacionamentos, a orientação é procurar locais seguros e, sempre que possível, manter a bicicleta presa a estruturas apropriadas.

Durante uma abordagem criminosa, a recomendação das autoridades é não reagir. A prioridade deve ser preservar a integridade física e procurar a polícia assim que houver segurança para isso.

Medidas de prevenção e combate

O pesquisador em Segurança Pública e professor Rusley Medeiros aponta que a redução dos crimes depende de ações envolvendo tanto o poder público quanto proprietários e fabricantes.

Entre as medidas citadas estão o reforço do policiamento preventivo, a fiscalização e a criação de locais mais seguros para estacionar bicicletas elétricas.

Para os proprietários, investimentos em travas resistentes, rastreadores e outros equipamentos de segurança podem dificultar a ação dos criminosos.

O pesquisador também defende que fabricantes desenvolvam mecanismos capazes de bloquear componentes importantes do veículo quando houver registro de roubo ou furto, como motor ou bateria.

Outra medida apontada é a contratação de seguro. O combate à receptação também é considerado importante, já que a comercialização de bicicletas e peças sem procedência pode estimular a continuidade desse tipo de crime.