Precisa fazer endoscopia todo ano? Entenda quando o exame é indicado

Azia, queimação, refluxo, dores na região do estômago e desconforto depois das refeições são queixas comuns e podem levar à necessidade de uma investigação mais detalhada. Nesses casos, uma das dúvidas que pode surgir é sobre a realização de uma endoscopia digestiva alta.

Quem já passou pelo procedimento também pode questionar se o exame precisa fazer parte de uma rotina anual. De acordo com especialistas, não existe uma frequência fixa válida para todas as pessoas. A necessidade de repetir a endoscopia depende das condições de cada paciente, dos sintomas apresentados e dos resultados obtidos anteriormente.

A endoscopia digestiva alta permite examinar o interior do esôfago, do estômago e do início do intestino delgado. O procedimento pode ajudar na investigação de problemas como gastrite, úlceras, alterações relacionadas ao refluxo e outras condições que provocam sintomas digestivos.

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Mateus Antunes Nogueira, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, há pacientes que precisam realizar o exame apenas uma vez para investigar determinada queixa, enquanto outros podem necessitar de acompanhamento periódico por apresentarem alterações que exigem monitoramento.

Em quais situações o exame pode ser necessário?

A indicação costuma ocorrer quando os sintomas são persistentes ou quando existem sinais que precisam ser investigados com maior atenção.

Entre as situações que podem levar o médico a solicitar uma endoscopia estão dor frequente na parte superior do abdômen, azia e refluxo recorrentes, dificuldade ou dor ao engolir, além de náuseas e vômitos que permanecem por um período prolongado.

Alguns sinais também merecem avaliação médica mais rápida. É o caso de perda de peso sem explicação, anemia, sangramento digestivo e presença de sangue no vômito.

Uma azia ocasional, por exemplo, pode ter relação com alimentação ou outros fatores pontuais. Já sintomas que aparecem repetidamente ou prejudicam a rotina precisam ser avaliados para que a causa seja identificada.

Quem já fez uma endoscopia precisa repetir?

Não necessariamente. Um resultado anterior sem alterações relevantes não significa que a pessoa precise repetir o exame todos os anos.

A decisão depende principalmente do motivo pelo qual a primeira endoscopia foi realizada e do que foi encontrado durante o procedimento. Em determinadas situações, o acompanhamento pode exigir novos exames para observar uma alteração já conhecida ou verificar a evolução de uma lesão.

O surgimento de novos sintomas também pode mudar a recomendação. Mesmo que uma pessoa tenha apresentado um resultado normal anteriormente, alterações recentes no quadro digestivo podem justificar uma nova avaliação.

Por isso, o intervalo entre os exames não deve ser determinado apenas pela passagem do tempo. O médico deve considerar o histórico do paciente, os resultados anteriores e as condições atuais antes de decidir pela repetição.

Fazer o exame todos os anos ajuda na prevenção?

Realizar exames sem uma indicação específica não significa necessariamente prevenir doenças. Embora a endoscopia seja um procedimento utilizado rotineiramente na investigação de problemas digestivos, sua realização exige preparo e, geralmente, sedação.

A recomendação é que o exame seja solicitado quando houver uma justificativa clínica. O acompanhamento médico permite avaliar os sintomas e definir qual investigação é mais adequada para cada situação.

Prevenção, nesse contexto, não significa fazer todos os exames disponíveis de maneira periódica, mas acompanhar a saúde e investigar alterações quando houver indicação.

Hábitos podem ajudar a evitar desconfortos

Alguns cuidados cotidianos podem contribuir para uma melhor saúde digestiva. Ter uma alimentação equilibrada, evitar exageros e observar quais alimentos provocam ou intensificam determinados sintomas são medidas que podem ajudar.

Também é importante não ignorar sintomas que se repetem. Desconfortos frequentes não devem ser tratados continuamente apenas com medicamentos por conta própria.

Remédios podem proporcionar alívio temporário, mas não necessariamente eliminam a causa do problema. Em determinadas situações, a automedicação pode ainda dificultar a identificação de sinais que deveriam ser avaliados por um profissional.

A recomendação é procurar atendimento médico quando os sintomas forem persistentes, intensos, novos ou acompanhados de sinais de alerta. A partir da avaliação clínica, o profissional poderá determinar se a endoscopia é necessária ou se outro tipo de investigação é mais adequado.