Jovem capixaba fica paraplégica após infecção causada por furúnculo

A ex-dançarina capixaba Jéssica Avelino, de 26 anos, vive hoje uma nova realidade após enfrentar uma grave complicação de saúde. Um furúnculo no braço esquerdo evoluiu para uma infecção na medula espinhal, chamada mielite infecciosa, e resultou em paraplegia.

O caso teve um ponto crítico no dia 30 de novembro de 2023, quando Jéssica começou a sentir formigamento nas pernas. Ainda naquela noite, ela foi levada para a UTI já com paralisia. “Tentei andar no quarto para ver se passava, mas minhas pernas ficaram trêmulas. Caí e não consegui mais levantar. Não sentia mais nada. […] Quando acordei, o médico disse que eu podia ter uma paralisia cerebral ou até morrer. Fiquei apavorada”, relembrou.

Ela ficou sete dias internada na UTI e foi transferida para o Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), em Vitória, onde foi diagnosticada com mielite infecciosa. A bactéria, que entrou no corpo pelo furúnculo, alcançou a medula e causou os danos neurológicos. Jéssica passou mais 20 dias internada, em tratamento com antibióticos. Embora a paralisia não tenha avançado, ela já estava paraplégica.

Adaptação e esperança

Apesar do trauma, Jéssica está reconstruindo sua vida. A casa do pai, em São Mateus, está sendo adaptada para recebê-la até julho. A mãe busca uma vaga em creche para o filho dela, Pietro, e sonha em voltar ao trabalho.

Um alerta necessário

Diante da experiência, Jéssica faz um apelo: “Se eu pudesse dar um conselho para as pessoas, seria esse: diante de qualquer tipo de machucado, procure um médico. É normal querer resolver em casa, mas eu jamais imaginaria que um furúnculo pudesse me deixar assim”.

O alerta é reforçado pelo médico dermatologista Ricardo Tiussi, presidente da Sociedade de Dermatologia do Espírito Santo. Segundo ele, embora casos como o de Jéssica sejam raros, podem ocorrer com qualquer pessoa. “Principalmente quando se manipula o furúnculo, que é uma infecção da pele causada por bactérias que entram pela raiz do pelo. No caso dela, a bactéria foi para o sangue e chegou à medula, mas poderia ter atingido qualquer outro órgão”, explicou.

Tiussi alerta para que ninguém tente espremer ou cortar um furúnculo em casa. “Em casa, não se tem material esterilizado. Às vezes a pessoa usa uma tesoura, lâmina ou algo contaminado, e isso agrava a situação. A recomendação é procurar atendimento médico, principalmente diante de sinais como dor intensa ou febre”, orienta.

O tratamento ideal envolve antibióticos e, em alguns casos, drenagem feita por profissionais de saúde em ambiente hospitalar.

Grupos com maior risco de complicações

Algumas pessoas têm maior propensão a desenvolver complicações sérias como a de Jéssica:

  • Pacientes com imunidade baixa;
  • Pessoas com doenças imunossupressoras;
  • Quem faz uso de medicamentos imunossupressores;
  • Idosos;
  • Diabéticos com controle inadequado da doença;
  • Pacientes em quimioterapia;
  • Pessoas que frequentam ambientes hospitalares com frequência, como em sessões de hemodiálise.

O médico ainda destacou que, em ambientes hospitalares, o contato com cepas mais agressivas e resistentes da bactéria Staphylococcus — a mais comum em furúnculos — aumenta o risco de infecção em órgãos distantes, por meio da chamada disseminação hematogênica.

*Com informações de Ana Elisa Bassi, do g1ES