Batata frita causa câncer? Especialistas esclarecem riscos e cuidados no consumo

Presente no dia a dia de milhões de pessoas, a batata frita é um dos alimentos mais populares do mundo. No entanto, seu consumo costuma levantar questionamentos sobre possíveis impactos à saúde, incluindo a relação com o desenvolvimento de câncer.

Segundo especialistas, a principal preocupação não está na batata em si, mas na formação de uma substância chamada acrilamida. Esse composto surge naturalmente quando alimentos ricos em amido, como batatas e pães, são submetidos a temperaturas elevadas, geralmente acima de 120°C, durante processos como fritura, assamento ou grelhamento.

A formação da acrilamida ocorre por meio da chamada Reação de Maillard, fenômeno químico responsável pela coloração dourada e pelo sabor característico de alimentos preparados em altas temperaturas. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classifica a substância como um provável agente cancerígeno para humanos.

Estudos realizados em animais apontaram que a exposição à acrilamida pode provocar danos ao DNA e aumentar o risco de desenvolvimento de tumores. Entretanto, pesquisadores destacam que os resultados observados em laboratório não podem ser automaticamente transferidos para seres humanos, já que a absorção e o metabolismo da substância ocorrem de maneira diferente entre espécies.

Além da questão relacionada à acrilamida, especialistas alertam para os impactos nutricionais do consumo frequente de batatas fritas, principalmente as industrializadas ou comercializadas em redes de fast-food. Esses produtos costumam apresentar altos níveis de calorias, sódio e gorduras, fatores que podem favorecer o ganho de peso e desencadear alterações metabólicas.

O excesso de peso, por sua vez, está associado ao aumento do risco de diversos tipos de câncer e outras doenças crônicas. Por isso, profissionais da área da saúde reforçam que nenhum alimento isoladamente é responsável pelo surgimento da doença, mas que padrões alimentares inadequados ao longo do tempo podem contribuir para o aumento dos riscos.

Outro ponto de atenção está relacionado ao preparo. O tipo de óleo utilizado, a reutilização da gordura e o excesso de escurecimento dos alimentos podem favorecer a formação de compostos potencialmente prejudiciais à saúde.

Como reduzir os riscos no consumo

Especialistas recomendam algumas medidas simples para quem deseja continuar consumindo batata frita de forma mais equilibrada:

  • Prefira batatas com coloração dourada, evitando partes muito escuras ou queimadas;
  • Deixe as batatas de molho em água por cerca de 30 minutos antes do preparo para reduzir a quantidade de açúcares que favorecem a formação da acrilamida;
  • Evite armazenar batatas cruas na geladeira, já que temperaturas muito baixas aumentam a concentração de açúcares;
  • Opte por preparações no forno ou na Air Fryer, sempre controlando o tempo e a temperatura para evitar o escurecimento excessivo.

Os especialistas ressaltam que o consumo ocasional de batata frita, dentro de uma alimentação equilibrada e variada, não deve ser motivo de preocupação. O fator mais importante continua sendo a frequência de consumo e a qualidade geral da dieta adotada ao longo da vida.