Dois feminicídios em 24 horas escancaram a violência de gênero no Espírito Santo

A violência contra a mulher voltou a chocar o Espírito Santo com dois feminicídios registrados em menos de um dia. Em São Mateus, no Norte do Estado, Quézia Maciel Machado, de 23 anos, foi assassinada a facadas na noite da última quarta-feira (28). Horas depois, na madrugada de quinta (29), Poliana Santos do Vale, de 28 anos, foi morta dentro de casa, em Viana, Região Metropolitana, também com golpes de faca.

As duas jovens foram atacadas por homens com quem mantinham ou haviam mantido algum tipo de relação. Quézia teria sido alvo de um colega de trabalho. Poliana foi morta pelo ex-marido, na frente do filho de apenas um ano de idade.

Ataque no caminho para casa
Quézia foi surpreendida pelo agressor quando voltava do supermercado onde trabalhava, em uma rua do bairro Aroeira. Mesmo gravemente ferida, ainda conseguiu dizer o nome do suspeito — um colega de trabalho — antes de ser socorrida e levada ao Hospital Roberto Silvares. Ela não resistiu aos ferimentos. O autor do crime fugiu e segue foragido. A jovem era casada e mãe de duas crianças pequenas.

Crime presenciado pelo filho
Já em Viana, Poliana foi morta dentro da própria residência, no bairro Arlindo Villaschi. O ex-companheiro, Daniel Ribeiro de Oliveira, de 26 anos, teria invadido o imóvel e cometido o crime diante do filho do casal. Um adolescente, irmão de Daniel, encontrou a vítima já sem vida. O suspeito foi detido com ferimentos, recebeu atendimento médico sob escolta policial e, após ser autuado por feminicídio qualificado — com agravante por ter ocorrido na presença do filho — será transferido para o sistema prisional assim que receber alta.

Cenário preocupante no Espírito Santo
Segundo o Painel de Monitoramento da Violência Contra a Mulher, da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), o Espírito Santo já contabiliza 30 homicídios de mulheres em 2025. As cidades com maior número de ocorrências são Cariacica (5 casos), Linhares e Vila Velha (4 cada), seguidas de São Mateus e Barra de São Francisco (2 casos cada).

A maior parte das vítimas era parda e os assassinatos ocorreram principalmente por arma de fogo (56,67%) e arma branca (20%). Em 2024, o estado somou 93 feminicídios — com Vila Velha (13) e Serra (12) entre os municípios com mais registros.

Os crimes recentes evidenciam um padrão recorrente: a violência cometida por homens do convívio das vítimas. A repetição desses casos reforça a urgência de políticas públicas eficazes de enfrentamento à violência de gênero e maior proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade.