Uma empresa sediada na Serra, na Grande Vitória, está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado. A companhia, que atua como intermediadora de plataformas de apostas esportivas, mantinha parcerias comerciais com algumas das principais casas de apostas em operação no país.
Segundo as investigações, a empresa é suspeita de integrar uma estrutura financeira utilizada para movimentar recursos de origem ilícita. Os sócios do negócio chegaram a ser presos durante a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal, mas foram liberados posteriormente por decisão judicial.
A companhia se apresenta no mercado como um hub de apostas, oferecendo aos usuários acesso a diferentes plataformas em um único ambiente digital. Além disso, utiliza influenciadores digitais para promover seus serviços e ampliar sua base de clientes.
As apurações indicam que a empresa teria realizado transferências milionárias a um cantor de funk investigado no mesmo inquérito. De acordo com a Polícia Federal, os pagamentos foram registrados como contratos de divulgação publicitária, mas há suspeitas de que as operações possam ter sido utilizadas para ocultar a origem dos recursos.
A defesa dos empresários nega qualquer irregularidade e sustenta que todos os contratos firmados pela empresa foram realizados dentro da legalidade. Os advogados afirmam que os acordos comerciais com plataformas de apostas regularizadas seguem as normas vigentes e que não existe ligação entre as atividades da companhia e organizações criminosas.
As investigações também analisam possíveis conexões da empresa com operações financeiras realizadas por meio de criptomoedas, além da eventual participação em atividades relacionadas a plataformas de apostas não autorizadas. A Polícia Federal busca identificar se outras pessoas estariam envolvidas na estrutura empresarial e financeira investigada.
A Operação Narco Fluxo é um desdobramento de investigações anteriores que apuram o uso de plataformas de apostas, empresas de fachada e ativos digitais para movimentação e ocultação de valores provenientes de atividades criminosas. Segundo a PF, o esquema investigado teria movimentado cifras bilionárias ao longo do período analisado.
Além da atuação no setor de apostas, a empresa ganhou visibilidade no Espírito Santo ao patrocinar clubes de futebol e apoiar transmissões de competições esportivas. Entre os times patrocinados estiveram algumas das principais equipes do futebol capixaba.
Após a divulgação da investigação, clubes que mantiveram contratos com a empresa informaram que não tinham conhecimento prévio dos fatos apurados pelas autoridades e destacaram que os acordos foram firmados dentro das práticas comerciais comuns do mercado esportivo. Algumas agremiações anunciaram a suspensão dos vínculos após tomarem conhecimento das investigações.
O caso segue sob análise das autoridades federais, que continuam reunindo informações para esclarecer a participação dos investigados e a origem dos recursos movimentados pela organização.