Marido que matou empresária no ES usou celulares de desconhecidos para não ser rastreado

O empresário Marcelo Fernandes, de 57 anos, que confessou ter matado a esposa Cláudia Cristina da Silva Fernandes, de 53 anos, em Cachoeiro de Itapemirim, tentou dificultar o rastreamento policial usando celulares de terceiros após o crime. Segundo o delegado Felipe Vivas, responsável pela investigação, o homem chegou a pedir telefones emprestados a pessoas nas ruas, afirmando estar sem aparelho, para realizar ligações.

“As imagens mostraram que ele abordava pessoas na rua, informava estar sem telefone e pedia para fazer uma ligação rápida. Chegou a ligar para a própria empresa pedindo o número de um advogado”, contou o delegado, que chefia a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cachoeiro de Itapemirim.

Mesmo com as tentativas de despistar a polícia, Marcelo já estava sendo monitorado e foi identificado por câmeras de segurança em Piúma e Itapemirim, cidades vizinhas a Cachoeiro. Ele foi preso na noite de terça-feira (18), após se apresentar à delegacia acompanhado de um advogado, e confessou o crime durante o depoimento.

Defesa alega arrependimento

A defesa do empresário afirmou que ele está colaborando com as investigações.

“Ele confessou a autoria, demonstrando profundo arrependimento, optando pelo silêncio quanto às circunstâncias, que serão esclarecidas em breve”, declarou o advogado Izaias Corrêa Barboza Junior.

Segundo o defensor, a estratégia é aguardar a conclusão do inquérito policial para uma análise mais detalhada do caso.

Histórico de violência e alerta à denúncia

O delegado Felipe Vivas informou ainda que as investigações apontaram histórico de violência doméstica praticado por Marcelo contra Cláudia, embora nenhuma ocorrência anterior tenha sido registrada.

“Existe uma delegacia especializada para atender mulheres em Cachoeiro, com uma delegada à frente e equipe de psicólogos. Há também o Projeto Margaridas, o Ministério Público e diversos órgãos que compõem essa rede de proteção. A orientação é clara: denuncie”, reforçou Vivas.

A Polícia Civil continua a apuração do caso e destaca que denúncias de violência doméstica e familiar podem ser feitas anonimamente pelo Disque 181 ou diretamente na Delegacia Especializada da Mulher (Deam).