O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) viveu um momento histórico nesta quinta-feira (11). A desembargadora Janete Vargas Simões tomou posse como primeira mulher a assumir a presidência da Corte em seus 134 anos de existência. A solenidade, realizada no Plenário do Tribunal Pleno, marcou o início de uma gestão pautada pela modernização tecnológica, pela transparência e pela valorização do atendimento humanizado.
Em seu discurso de posse, Janete destacou a responsabilidade do cargo e o contexto institucional do país.
“Assumo em um momento desafiador da vida institucional brasileira. Tenho profundo senso de responsabilidade e gratidão a todos os que me antecederam. O que se celebra aqui não é uma conquista individual, mas o amadurecimento de uma instituição que reconhece a força da pluralidade”, afirmou.
Marco histórico e protagonismo feminino
Ao quebrar uma tradição de mais de um século, Janete destacou o significado simbólico de sua posse.
“Depois de 134 anos, esta Corte é presidida por uma mulher. Esse marco representa o avanço democrático e o reconhecimento da diversidade humana dentro das instituições”, destacou.
A magistrada aproveitou para deixar uma mensagem de incentivo às mulheres capixabas:
“É possível chegar onde se quer, com mérito, trabalho e coragem. Ainda há um longo caminho para a igualdade e o respeito, mas cada passo é uma conquista coletiva.”
Gestão voltada à inovação e humanização
A nova presidente apresentou um plano de modernização do Judiciário capixaba, com integração de tecnologia, inteligência artificial e automação de processos, sem abrir mão do contato humano.
“O mundo jurídico se transforma com a inteligência artificial e o uso de dados. É preciso modernizar, sem desumanizar. Automatizaremos o que for possível, mas manteremos o elemento humano que distingue a Justiça”, enfatizou.
Entre os pilares da gestão, Janete elencou transparência, diálogo, previsibilidade, cooperação, inovação responsável e humanização, princípios que devem nortear o biênio 2026-2027.
A presidente também defendeu um Judiciário mais próximo da sociedade e atento às vulnerabilidades sociais.
“É necessário desapegar-se da formalidade excessiva e estar onde a vida acontece. O Judiciário deve oferecer estabilidade e confiança, sem extrapolar o papel que a Constituição lhe atribui”, afirmou.
Nova Mesa Diretora e compromisso coletivo
Durante a solenidade, também tomaram posse os demais integrantes da Mesa Diretora do biênio 2026-2027:
Desembargador Fernando Zardini Antonio, vice-presidente;
Desembargador Ewerton Schwab Pinto Júnior, corregedor-geral da Justiça;
Desembargador Robson Luiz Albanez, vice-corregedor.
Encerrando o discurso, Janete reforçou a importância do trabalho conjunto entre magistrados e servidores.
“A presidência deve ser ponte, não barreira. Vamos fortalecer as condições de trabalho, valorizar as equipes e manter o Judiciário capixaba acessível, eficiente e humano.”