O empresário Adilson Ferreira, morador da Serra, foi preso nesta sexta-feira (8) durante desdobramentos da Operação Baest, investigação que apura atuação de uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e agiotagem no Espírito Santo.
A prisão preventiva havia sido decretada pela 2ª Vara Criminal de Vitória no fim de abril, mesma decisão que transformou 14 investigados em réus após denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Segundo as investigações, Adilson é apontado como um dos principais responsáveis pela movimentação financeira do grupo criminoso, acusado de ocultar recursos provenientes de atividades ilegais, principalmente tráfico de drogas e empréstimos clandestinos.
As autoridades afirmam que o esquema utilizava contas bancárias de terceiros e empresas registradas em nomes de “laranjas” para dificultar o rastreamento do dinheiro. O grupo também é suspeito de movimentar valores para regiões de fronteira com o objetivo de abastecer o comércio ilegal de armas e drogas.
De acordo com o Ministério Público, o empresário apresentava padrão financeiro incompatível com renda lícita declarada. As investigações apontam que o esquema utilizava ao menos sete empresas ligadas ao suspeito para mascarar operações financeiras.
A apuração também identificou aquisição de imóveis e veículos de luxo, que seriam usados para ocultar a origem dos recursos. Entre os bens ligados ao grupo estão carros de alto padrão e patrimônios avaliados em milhões de reais.
A denúncia ainda aponta possível relação do empresário com Tiago Cândido Viana, conhecido como “Baé”, investigado por integrar o Primeiro Comando de Vitória (PCV) e apontado como fornecedor de drogas e armas para a facção.
Adilson Ferreira responde por crimes como organização criminosa, lavagem de capitais, falsidade ideológica e agiotagem.
As investigações começaram em 2023 e tiveram uma primeira grande fase em maio de 2025, quando foram cumpridos mandados de busca, apreensão e bloqueio de mais de R$ 100 milhões em bens dos investigados. Na ocasião, o empresário chegou a ser detido em sua residência, em Jacaraípe, mas acabou liberado posteriormente.
Agora, após novas análises de documentos e materiais apreendidos, o Ministério Público avançou com a denúncia formal contra os integrantes do grupo.
A defesa do empresário informou que ainda não teve acesso completo à decisão judicial e negou que ele estivesse tentando fugir. Segundo o advogado, Adilson estava em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, a trabalho no momento da prisão.
Além da investigação conduzida no Espírito Santo, o empresário também é citado em outra apuração que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), relacionada a uma suposta ligação com o desembargador Macário Júdice Neto em um caso envolvendo possível interferência em licitação no Estado.
A Operação Baest é considerada pelas forças de segurança uma das maiores ofensivas recentes contra a estrutura financeira do crime organizado no Espírito Santo.