O número de bicicletas elétricas em circulação no Espírito Santo tem crescido rapidamente e transformado a rotina de mobilidade urbana. Mais ágeis que as bicicletas convencionais e vistas como alternativa aos congestionamentos, elas conquistam cada vez mais adeptos. No entanto, o aumento da frota também tem acendido um alerta para a segurança no trânsito.
A estudante de Educação Física Juliana Pessanha, de 23 anos, está entre as pessoas que adotaram o veículo como principal meio de transporte. Segundo ela, a decisão foi motivada pelos custos de manutenção do carro e pela praticidade oferecida pela bicicleta elétrica.
Apesar das vantagens, Juliana afirma que ainda se sente insegura em alguns trajetos, especialmente em locais sem infraestrutura adequada para ciclistas. A preocupação é compartilhada por muitos usuários e encontra respaldo nos números registrados no Estado.
Dados do Observatório Estadual da Segurança Pública apontam que, entre janeiro e abril deste ano, foram contabilizados 205 acidentes envolvendo bicicletas elétricas. As ocorrências resultaram em 27 casos de lesões graves e duas mortes. A maioria dos registros aconteceu em vias públicas, sendo os acidentes entre carros e bicicletas elétricas os mais frequentes.
Nos hospitais, o reflexo desse cenário já é percebido pelas equipes médicas. Especialistas relatam aumento no atendimento de vítimas com fraturas, traumatismos cranianos e outros ferimentos graves. Segundo profissionais da área, a combinação entre velocidade elevada, trânsito intenso e falta de experiência de alguns condutores contribui para a gravidade das ocorrências.
Os médicos também destacam a importância do uso do capacete, considerado um dos principais equipamentos de proteção. Além de reduzir o risco de lesões severas, o acessório pode ser decisivo para evitar sequelas permanentes e mortes em acidentes.
O avanço das bicicletas elétricas também impactou o ambiente escolar. Com mais estudantes utilizando esse meio de transporte, instituições de ensino precisaram adaptar espaços e reforçar orientações de segurança. Em algumas escolas, o uso do capacete passou a ser obrigatório para o acesso dos alunos que chegam utilizando bicicletas elétricas.
Especialistas e educadores defendem que a conscientização deve envolver não apenas os usuários, mas também as famílias. O respeito às normas de trânsito, aos pedestres e aos limites de velocidade é apontado como fundamental para reduzir acidentes e promover uma convivência mais segura nas vias.