Um homem de 36 anos foi preso pela Polícia Civil do Espírito Santo após uma investigação revelar que ele planejava matar o próprio filho, de oito anos, em São Gabriel da Palha, no Noroeste do Estado. Segundo as autoridades, o objetivo seria evitar o pagamento de pensão alimentícia.
O caso veio à tona depois que uma plataforma de inteligência artificial identificou mensagens consideradas graves e acionou os mecanismos de segurança da empresa responsável pelo serviço. As informações foram encaminhadas ao Federal Bureau of Investigation (FBI), nos Estados Unidos, que repassou o alerta ao Ministério da Justiça brasileiro. A partir daí, a denúncia chegou à Polícia Civil capixaba.
De acordo com a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o suspeito utilizava a ferramenta de IA para relatar seus planos e motivações. Nas conversas, ele afirmou que pretendia contratar um pistoleiro para assassinar a criança, alegando preocupação com uma possível cobrança da pensão alimentícia por parte da ex-companheira à avó paterna do menino.
As mensagens também indicavam que o homem possuía uma arma de fogo, uma corda e cianeto, substância altamente tóxica. Além disso, ele teria mencionado a intenção de praticar outros atos violentos.
Segundo o delegado adjunto da DRCC, Ícaro Olímpio, os dados enviados pela empresa forneceram elementos suficientes para que a polícia agisse antes da execução do crime.
Ainda conforme a investigação, o suspeito havia definido o dia 20 de junho para colocar o plano em prática. A prisão foi realizada no dia 19, quando ele saía de casa para trabalhar, impedindo que o crime fosse consumado.
Durante o interrogatório, o homem negou todas as acusações. Mesmo assim, diante das provas reunidas até o momento, a Polícia Civil solicitou sua prisão pelos crimes de ameaça, tentativa de homicídio e incitação ao crime.
Os materiais apreendidos serão submetidos à perícia para complementar a investigação. Após a conclusão dos laudos e das diligências, a polícia deverá formalizar o indiciamento do investigado.
A Polícia Civil também reforçou o alerta de que comunicações realizadas em plataformas de inteligência artificial podem ser compartilhadas pelas empresas responsáveis quando houver indícios de crimes ou riscos iminentes à vida, permitindo a atuação preventiva das autoridades.