Após anos afastado das disputas eleitorais, o ex-governador Paulo Hartung enfrenta um cenário político que dificulta uma eventual candidatura nas eleições de 2026. Embora seu nome ainda apareça bem posicionado em pesquisas de intenção de voto, a atual configuração das alianças no Espírito Santo reduziu significativamente seu espaço nas principais chapas.
Hartung deixou o governo estadual em 2018 sem disputar a reeleição e passou um longo período distante da política partidária. Em 2025, retornou oficialmente ao cenário ao se filiar ao PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, voltando a ficar apto para concorrer a cargos eletivos.
Desde então, o ex-governador passou a defender publicamente a renovação política no Estado e manifestou apoio ao prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, apontando-o como um dos nomes preparados para disputar o Palácio Anchieta.
Nos últimos meses, Hartung intensificou sua participação em encontros e eventos no Espírito Santo, alimentando especulações sobre uma possível candidatura ao Senado. Apesar disso, ele nunca confirmou oficialmente que pretendia disputar um cargo, limitando-se a afirmar que não descartava essa possibilidade.
Pesquisas divulgadas recentemente mostraram que o ex-governador ainda mantém forte reconhecimento entre o eleitorado. Em alguns cenários para o governo estadual, aparece tecnicamente empatado com outros pré-candidatos. Já nas simulações para o Senado, figura entre os nomes mais lembrados pelos entrevistados.
Entretanto, as mudanças nas articulações políticas alteraram o cenário. O Republicanos, partido de Pazolini, consolidou uma aliança com o PL, fortalecendo a presença da legenda na composição eleitoral. Como parte desse entendimento, o grupo passou a priorizar outros nomes para a disputa ao Senado, reduzindo o espaço para eventuais candidaturas do PSD.
Diante desse novo quadro, dirigentes do PSD passaram a admitir a possibilidade de dialogar com outros grupos políticos ou até lançar uma chapa própria para o governo e o Senado. Apesar da hipótese, a estrutura da sigla no Espírito Santo ainda é considerada limitada em comparação com outras forças políticas do Estado.
Outro fator que pesa é o histórico de divergências entre Hartung e o atual governador Ricardo Ferraço, o que torna improvável uma composição entre ambos. Ao mesmo tempo, a aproximação entre Pazolini e o PL também cria obstáculos para que o ex-governador ocupe espaço de destaque dentro desse projeto político.
Assim, mesmo preservando boa lembrança entre os eleitores, Paulo Hartung vive um momento de indefinição. As alianças formadas até agora restringem suas possibilidades de integrar as principais chapas para 2026, deixando seu futuro político em aberto.