Impasse sobre vice ameaça aliança entre Ricardo Ferraço e União Progressista no ES

A definição da chapa para a disputa pelo Governo do Espírito Santo ganhou um novo capítulo após o surgimento de divergências entre o governador Ricardo Ferraço (MDB) e a Federação União Progressista (UP), formada pelos partidos União Brasil e Progressistas (PP). O principal ponto de tensão é a escolha do candidato a vice-governador.

Considerada uma das principais aliadas da pré-campanha de Ricardo, a federação reúne forte representatividade política e eleitoral, além de contribuir significativamente para o tempo de propaganda no rádio e na televisão e para a estrutura da campanha.

Desde que declarou apoio ao então vice-governador, ainda em março, a UP defende participação de destaque na composição da chapa majoritária. Após desistir de disputar uma vaga ao Senado, a liderança da federação passou a reivindicar o direito de indicar o nome para a vice-governadoria.

Nos últimos dias, porém, lideranças ligadas ao grupo governista passaram a defender o nome do ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), para ocupar a vaga de vice. A movimentação provocou desconforto entre dirigentes da União Progressista, que interpretam a articulação como uma ameaça ao espaço reivindicado pela federação.

Em meio ao impasse, a UP decidiu adiar sua convenção estadual para o último dia do prazo eleitoral, marcado para 5 de agosto. A decisão amplia o período de negociações e mantém indefinida a posição oficial da federação na disputa pelo Palácio Anchieta.

Enquanto isso, dirigentes da União Progressista retomaram conversas com integrantes do grupo político do ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). As reuniões alimentaram especulações sobre uma eventual mudança de apoio, caso a federação não consiga participar da chapa encabeçada por Ricardo Ferraço.

Outra possibilidade discutida internamente seria a federação disputar as eleições apenas com candidatos aos cargos proporcionais, sem integrar formalmente nenhuma candidatura ao Governo do Estado.

Caso a União Progressista deixe a aliança governista, a campanha de Ricardo Ferraço poderá perder uma importante base política, reduzindo sua estrutura eleitoral e o tempo disponível na propaganda oficial.

Nos bastidores, as negociações seguem intensas e a expectativa é de que uma definição seja anunciada até o encerramento do prazo para realização das convenções partidárias.