Uma nova representação do mapa-múndi aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU) promete mudar a forma como o tamanho dos países é visualizado. A proposta utiliza a projeção Equal Earth, considerada mais adequada para representar as proporções reais dos territórios.
A decisão foi aprovada pela Assembleia Geral da ONU na sexta-feira (4) e atende a uma campanha liderada por países africanos que questionam o uso predominante da tradicional projeção de Mercator. O argumento é que o modelo utilizado há séculos aumenta visualmente o tamanho de regiões próximas aos polos e reduz a dimensão aparente de áreas localizadas perto da linha do Equador.
A mudança também altera a percepção sobre o território brasileiro. No novo modelo, o Brasil aparece proporcionalmente maior em comparação com países e territórios que, na projeção de Mercator, parecem ter dimensões semelhantes.
Por que o Brasil parece maior?
O Brasil está localizado majoritariamente em uma região próxima à linha do Equador. Por isso, sofre menos com o tipo de distorção apresentada pela projeção de Mercator.
Criado no século XVI pelo cartógrafo Gerardus Mercator, o modelo foi desenvolvido principalmente para facilitar a navegação. A técnica permite representar determinadas rotas de maneira mais prática, mas provoca alterações significativas nas proporções dos territórios.
Quanto mais distante da linha do Equador está uma região, maior tende a ser a distorção de seu tamanho na projeção de Mercator. Países e territórios situados em latitudes elevadas acabam parecendo muito maiores do que são na realidade.
Um exemplo clássico é a comparação entre a Groenlândia e a África. No mapa tradicional, as duas áreas podem aparentar dimensões próximas. Na realidade, porém, o continente africano é aproximadamente 14 vezes maior que a Groenlândia.
O mesmo ocorre com o Brasil. Dependendo da representação utilizada, o país pode parecer semelhante em tamanho ao Alasca. Considerando as áreas reais, entretanto, o território brasileiro é várias vezes maior que o estado norte-americano.
Como funciona o novo mapa?
A projeção Equal Earth foi desenvolvida para preservar melhor a proporção das áreas dos países e continentes. Dessa maneira, regiões próximas à linha do Equador deixam de aparecer visualmente reduzidas em relação às áreas localizadas em latitudes mais elevadas.
Isso não significa que o novo mapa seja completamente livre de distorções. Representar uma superfície esférica, como a Terra, em uma superfície plana sempre exige algum tipo de adaptação.
O que muda é o objetivo da representação. Enquanto a projeção de Mercator prioriza determinadas características úteis à navegação, a Equal Earth busca apresentar uma comparação mais fiel entre as áreas territoriais.
Campanha pela mudança
A adoção do novo modelo ganhou força a partir de uma mobilização internacional liderada pela União Africana. A iniciativa defende que os mapas utilizados em escolas, governos, organizações e empresas apresentem os continentes de maneira mais proporcional.
A resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU foi apresentada pelo Togo e recebeu apoio de 164 países. Os Estados Unidos votaram contra, enquanto seis nações optaram pela abstenção.
A aprovação, entretanto, não obriga os países a abandonar imediatamente a projeção de Mercator. Cada governo, instituição ou empresa continua tendo autonomia para escolher o modelo cartográfico mais adequado às suas necessidades.
Por que a escolha do mapa importa?
Embora pareça apenas uma questão visual, a forma como o planeta é representado pode influenciar a percepção sobre o tamanho e a importância de diferentes regiões.
Durante décadas, a projeção de Mercator esteve presente em livros, salas de aula e ferramentas digitais, tornando-se uma das principais referências visuais utilizadas para compreender a distribuição dos países pelo mundo.
A discussão em torno do novo mapa busca justamente ampliar essa percepção e mostrar que o tamanho aparente de um território em uma representação plana nem sempre corresponde à sua área real.
No caso do Brasil, a adoção de uma projeção que preserve melhor as proporções faz com que o país ganhe destaque visual no mapa, aproximando sua representação de suas dimensões territoriais reais.