Saúde do coração: 6 mitos sobre doenças cardiovasculares em mulheres

Quando o assunto é saúde feminina, consultas ginecológicas e exames preventivos costumam ocupar grande espaço na rotina. A saúde cardiovascular, porém, também precisa fazer parte dos cuidados ao longo da vida.

Doenças que atingem o coração e a circulação, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão e insuficiência cardíaca, estão entre os principais problemas de saúde no país. Em 2024, aproximadamente 399 mil brasileiros morreram em decorrência de doenças do aparelho circulatório, conforme dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

No caso das mulheres, alguns aspectos merecem atenção especial. Sintomas cardiovasculares podem se apresentar de maneiras diferentes, enquanto acontecimentos como complicações durante a gestação e mudanças hormonais também podem ajudar a identificar riscos futuros.

Por isso, informação e acompanhamento médico são importantes para evitar que sinais de alerta sejam ignorados. Confira seis ideias equivocadas sobre a saúde cardiovascular feminina.

1. Mulheres estão naturalmente protegidas contra doenças do coração

Mito.

A ideia de que as mulheres têm pouca probabilidade de desenvolver problemas cardiovasculares pode levar à falsa sensação de segurança.

Embora existam diferenças relacionadas aos hormônios femininos ao longo da vida, elas não eliminam o risco. Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, sedentarismo e histórico familiar estão entre os fatores que podem aumentar a possibilidade de problemas cardiovasculares.

Além desses fatores, a avaliação da mulher pode considerar situações específicas, como menopausa, histórico gestacional, doenças autoimunes e outras condições que interferem na saúde cardiovascular.

2. Infarto sempre provoca uma forte dor no peito

Mito.

A dor ou pressão no peito é um dos sinais mais conhecidos do infarto e deve ser encarada como um alerta. No entanto, não é a única manifestação possível.

Algumas mulheres podem apresentar falta de ar, náusea, vômito, palpitações, cansaço intenso ou um mal-estar diferente do habitual. Esses sintomas podem aparecer acompanhados ou não de desconforto no peito.

Como algumas dessas manifestações são confundidas com estresse, indisposição ou alterações hormonais, existe o risco de o atendimento ser procurado tardiamente.

Isso não significa que qualquer episódio de cansaço ou náusea represente um problema cardíaco. Porém, sintomas repentinos, intensos ou associados a outros sinais de alerta precisam ser avaliados rapidamente.

Em situações suspeitas de infarto, a orientação é procurar atendimento médico de emergência imediatamente.

3. O coração só precisa de atenção depois da menopausa

Mito.

A menopausa representa uma fase importante para a avaliação da saúde cardiovascular, mas os cuidados não devem começar somente nesse período.

A história reprodutiva também pode trazer informações relevantes. Mulheres que tiveram hipertensão durante a gravidez ou pré-eclâmpsia, por exemplo, podem apresentar maior risco cardiovascular no futuro.

Por isso, informações sobre gestações anteriores devem ser consideradas durante o acompanhamento médico. Identificar precocemente fatores de risco permite trabalhar na prevenção antes do aparecimento de complicações.

4. Depois da menopausa, colesterol não é mais uma preocupação

Mito.

As mudanças que acontecem durante e depois da menopausa podem vir acompanhadas de alterações metabólicas e no perfil de colesterol.

Por isso, nessa fase, é importante manter atenção a fatores como pressão arterial, colesterol, glicemia, peso, alimentação e nível de atividade física.

O risco cardiovascular não depende de um único exame. A avaliação deve considerar o conjunto de características, hábitos, histórico familiar e condições de saúde de cada mulher.

5. Toda mulher precisa fazer os mesmos exames cardíacos todos os anos

Mito.

Não existe uma bateria de exames cardiovasculares que seja obrigatória e igual para todas as mulheres.

A necessidade de investigação depende de fatores como idade, sintomas, histórico familiar, doenças existentes e fatores de risco.

De acordo com a avaliação médica, podem ser indicados exames laboratoriais, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, Holter, monitorização ambulatorial da pressão arterial ou exames de imagem.

Mais exames não significam necessariamente uma prevenção melhor. O objetivo é utilizar o método adequado para responder às questões identificadas durante a avaliação clínica.

6. Mulheres jovens e saudáveis não precisam se preocupar com o coração

Mito.

Ter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, não fumar e manter o peso adequado são atitudes importantes para reduzir o risco cardiovascular. Mesmo assim, elas não tornam o risco inexistente.

Uma mulher jovem pode apresentar hipertensão, alterações no colesterol, histórico familiar ou outras condições que precisam ser acompanhadas.

Doenças inflamatórias e autoimunes e determinadas complicações relacionadas à gestação também podem entrar na avaliação individual.

Por isso, a prevenção não deve ser deixada para depois. Conhecer os fatores de risco e manter consultas regulares ajuda a identificar alterações antes que elas evoluam para problemas mais graves.

Cuidados devem acompanhar todas as fases da vida

A saúde cardiovascular feminina exige atenção contínua. Infância e juventude, período reprodutivo, gestação e menopausa apresentam características diferentes, e cada fase pode trazer fatores que precisam ser considerados.

Manter consultas médicas, controlar pressão arterial, colesterol e glicemia quando indicado, praticar atividade física, ter uma alimentação equilibrada e evitar o tabagismo são algumas das medidas que contribuem para a prevenção.

Também é importante conhecer os sinais de alerta. Dor ou pressão no peito, falta de ar, mal-estar intenso, náuseas, palpitações ou sintomas repentinos podem exigir atendimento de emergência.

A principal mensagem é que cuidar do coração não deve ser uma preocupação apenas após determinada idade. A prevenção começa com o conhecimento dos próprios fatores de risco e com o acompanhamento adequado ao longo da vida.