Tecnologia e inteligência artificial reforçam combate ao câncer de pele no Espírito Santo

Ferramentas desenvolvidas na Ufes estão sendo utilizadas em um projeto itinerante que leva triagem, orientação e tratamento para municípios do interior do Estado

A exposição prolongada ao sol pode deixar marcas que vão muito além do envelhecimento da pele. No Espírito Santo, onde atividades ao ar livre fazem parte da rotina de muitas comunidades, o câncer de pele é uma preocupação importante. Para ampliar o diagnóstico e facilitar o acesso ao atendimento, um projeto da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) utiliza tecnologia e inteligência artificial durante ações realizadas em cidades do interior.

Um dos exemplos é o caso da agricultora Lindaura Jacob Butzke, de 78 anos, moradora de Santa Maria de Jetibá. Durante cerca de cinco décadas, ela trabalhou na agricultura, passando grande parte dos dias sob exposição direta ao sol e sem utilizar proteção adequada.

A primeira lesão apareceu há aproximadamente 30 anos, atrás da orelha direita. Lindaura não sentia dor, mas uma biópsia confirmou que se tratava de câncer de pele. Com o passar dos anos, outras lesões surgiram em diferentes regiões do corpo, como nariz, perna e costas.

Há seis anos, a agricultora realiza acompanhamento no ambulatório de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), em Vitória. Mesmo após o tratamento dos tumores, ela continua sendo acompanhada por causa do aparecimento de novas feridas e alterações na pele.

A experiência fez com que Lindaura mudasse os hábitos e passasse a dar mais importância à proteção contra os raios solares.

Tecnologia facilita identificação de lesões

O Programa de Assistência Dermatológica e Cirúrgica da Ufes (PAD-Ufes) atua há quase quatro décadas no atendimento de comunidades do interior do Espírito Santo. A iniciativa foi criada para levar assistência principalmente a regiões rurais e populações com maior exposição ao sol e dificuldade de acesso a serviços especializados.

Durante os atendimentos, ferramentas tecnológicas, incluindo soluções de inteligência artificial desenvolvidas na universidade, auxiliam os profissionais na análise e triagem das lesões. A tecnologia contribui para identificar casos que precisam de uma avaliação mais detalhada e agilizar o encaminhamento dos pacientes.

O programa oferece atendimento gratuito e pode realizar diferentes procedimentos, como consulta, crioterapia, cirurgia e biópsia, quando houver indicação médica.

Outra característica do projeto é a realização de todo o processo, sempre que possível, no próprio município onde o paciente mora. Dessa maneira, pessoas que vivem no interior não precisam necessariamente viajar até a Grande Vitória para iniciar o atendimento.

Atendimento acontece em mutirões

As ações são realizadas principalmente aos fins de semana. Durante os mutirões, estudantes de Medicina participam dos atendimentos sob supervisão de dermatologistas.

Depois da avaliação, cada paciente recebe uma orientação de acordo com a condição encontrada. Em determinados casos, é indicado o uso de medicamentos. Quando há necessidade de intervenção, o paciente pode ser encaminhado para cirurgia ou para a crioterapia, procedimento que utiliza nitrogênio líquido para destruir lesões consideradas pré-cancerosas.

Quando o tratamento medicamentoso é indicado, a medicação necessária também pode ser disponibilizada ao paciente no próprio local do atendimento.

Cidades atendidas pelo programa

Atualmente, o PAD-Ufes realiza ações em 12 municípios do Espírito Santo: Itaguaçu, Afonso Cláudio, Itarana, Baixo Guandu, Pancas, Alfredo Chaves, Laranja da Terra, São Gabriel da Palha, Vila Pavão, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Santa Maria de Jetibá.

Entre os municípios com maior quantidade de consultas e cirurgias estão Santa Maria de Jetibá, São Gabriel da Palha e Vila Pavão.

A iniciativa busca aproximar o atendimento especializado das comunidades e aumentar as chances de identificação precoce das lesões, fator importante para o tratamento do câncer de pele.

Além do atendimento médico, as ações também reforçam a necessidade de prevenção, principalmente entre pessoas que passam muitas horas expostas ao sol. O uso regular de protetor solar, roupas que protejam a pele e outros cuidados podem reduzir os riscos associados à exposição excessiva aos raios ultravioleta.