Quando se fala em colesterol elevado, é comum associar o problema apenas ao consumo de alimentos gordurosos. Embora a alimentação tenha influência importante, diversos outros fatores podem interferir nos níveis de colesterol e aumentar as chances de desenvolver problemas cardiovasculares.
Entre eles estão a hereditariedade, doenças crônicas, falta de atividade física, excesso de peso, cigarro, hipertensão e o próprio envelhecimento. Como o colesterol alto geralmente não provoca sintomas, muitas pessoas só descobrem a alteração durante exames de rotina ou após o surgimento de uma complicação.
Segundo dados da Federação Mundial do Coração, o colesterol elevado está associado a milhões de mortes todos os anos e figura entre os principais fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares. Infarto e acidente vascular cerebral (AVC) estão entre as consequências mais graves relacionadas ao problema.
O endocrinologista Ramon Marcelino, doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e integrante do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, destaca que o acompanhamento é fundamental justamente pela ausência de sinais claros.
“O colesterol elevado raramente provoca sintomas. Na maioria das vezes, ele só é descoberto em exames de rotina ou quando já houve um evento cardiovascular.”
O especialista ressalta ainda que a avaliação não deve considerar apenas o resultado de um exame. O risco cardiovascular é determinado pela combinação de diferentes características e condições de saúde.
1. Hereditariedade
A genética pode ter papel importante nos níveis de colesterol. Pessoas que possuem familiares próximos com colesterol elevado ou histórico de infarto e AVC em idade precoce podem apresentar maior predisposição.
Isso significa que até mesmo indivíduos que mantêm hábitos considerados saudáveis podem desenvolver alterações no colesterol.
A identificação precoce de pessoas com maior risco permite iniciar medidas de prevenção antes que ocorram complicações cardiovasculares.
2. Diabetes
O diabetes pode provocar alterações na forma como o organismo processa as gorduras. Além disso, a doença está relacionada a um risco maior de problemas cardiovasculares.
Por esse motivo, pessoas com diabetes frequentemente precisam de um controle mais rigoroso dos níveis de colesterol e de outros fatores que afetam a saúde do coração.
3. Sobrepeso e obesidade
O excesso de gordura corporal pode contribuir para alterações no perfil lipídico, favorecendo o aumento do LDL, conhecido popularmente como colesterol “ruim”, e dos triglicerídeos.
Também pode ocorrer redução do HDL, chamado de colesterol “bom”. Esse conjunto de alterações favorece a formação de placas de gordura nas artérias e aumenta o risco cardiovascular.
4. Falta de atividade física
O sedentarismo também está entre os fatores que podem prejudicar o equilíbrio do colesterol.
A prática regular de exercícios ajuda no controle do perfil lipídico e proporciona benefícios para o coração e para a circulação. Já a ausência de atividade física pode favorecer alterações metabólicas e contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
5. Cigarro e pressão alta
O tabagismo prejudica a parede dos vasos sanguíneos e facilita o processo de formação de placas de gordura nas artérias.
A hipertensão também provoca danos ao sistema circulatório. Quando os dois fatores estão presentes, o risco de complicações cardiovasculares pode ser ainda maior.
Infarto e AVC estão entre os problemas que podem ocorrer quando diferentes fatores de risco se acumulam.
6. Alimentação desequilibrada
A qualidade da alimentação também influencia diretamente o perfil de colesterol.
O consumo frequente de frituras, embutidos, produtos ultraprocessados e alimentos com grande quantidade de gordura saturada pode contribuir para o aumento do LDL.
No entanto, isso não significa que um único alimento seja responsável pelo colesterol alto. O mais importante é observar o padrão alimentar como um todo e manter uma rotina com maior presença de alimentos nutritivos e variados.
7. Envelhecimento
A idade também influencia a saúde cardiovascular. Com o passar dos anos, o organismo passa por mudanças metabólicas que podem aumentar a probabilidade de alterações no colesterol e de outras condições relacionadas ao coração.
Por isso, o acompanhamento médico e a realização periódica de exames ganham ainda mais importância ao longo da vida.
Colesterol alto pode não apresentar sintomas
Um dos principais desafios no combate ao colesterol elevado é justamente a falta de sintomas na maioria dos casos.
A pessoa pode se sentir bem mesmo apresentando níveis elevados de LDL. Por isso, a avaliação médica e os exames laboratoriais são importantes para identificar alterações precocemente.
Além de verificar o colesterol, o profissional de saúde pode analisar outros fatores, como pressão arterial, diabetes, histórico familiar, idade, peso e hábitos de vida, para estimar o risco cardiovascular de cada pessoa.