Nathan Braga é o único representante do Espírito Santo na mostra brasileira que reúne 35 artistas durante um dos principais eventos de arte contemporânea da Ásia
O Espírito Santo está representado na 16ª Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul, pelo artista visual Nathan Braga, de 31 anos. Ele é o único capixaba selecionado para integrar o primeiro Pavilhão Brasileiro da mostra internacional, que reúne 35 artistas do país.
Nathan participa da exposição Devorações do Amanhã – Brasil em rebento, organizada pelos curadores Aldones Nino e Bruna Levi. A participação coloca o trabalho desenvolvido no Espírito Santo em contato com um dos principais circuitos internacionais de arte contemporânea.
Criada em 1995, a Bienal de Gwangju é uma das mais importantes exposições do segmento. Nesta edição, a mostra principal tem como tema You Must Change Your Life (“Você deve mudar sua vida”), título inspirado em um verso do poeta alemão Rainer Maria Rilke.
Instalação explora silêncio e movimento
Para a exposição na Coreia do Sul, Nathan Braga apresenta uma nova versão da instalação Frágil Silêncio. A obra é composta por elementos feitos de latão, vidro e cerâmica, materiais que ficam suspensos e estabelecem uma relação delicada entre equilíbrio, espaço e movimento.
A instalação dá continuidade a uma pesquisa iniciada pelo artista em bassa danza, exposição realizada em 2024 no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.
Os objetos suspensos podem se movimentar com pequenas alterações no ambiente. Até mesmo o deslocamento de ar provocado pela passagem dos visitantes é capaz de interferir na disposição das peças.
A proposta estabelece uma relação entre presença e silêncio. Como explica Nathan, a chegada de outra pessoa ao espaço pode modificar justamente aquele silêncio que existia antes.
Arte e ciência fazem parte da trajetória
A produção artística de Nathan é marcada pela experimentação de diferentes materiais e pelo diálogo com a literatura. Antes de ingressar no curso de Artes Visuais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o artista estudou Química.
A formação científica acabou incorporada ao processo criativo e influenciou a maneira como ele trabalha com a transformação da matéria. Seu ateliê é tratado também como um espaço de experimentação, no qual diferentes materiais são testados e modificados.
Além da formação em Artes Visuais, Nathan possui licenciatura, mestrado e doutorado em Arte e Cultura Contemporânea. Sua atuação também se estende para áreas como educação e gestão cultural.
Ao longo da carreira, o artista passou pela Bienal do Mercosul e ocupou o cargo de diretor de Educação do Parque Cultural Casa do Governador. Atualmente, coordena o Programa Cultura do Sesc Espírito Santo.
Obras estão em acervos de museus
A trajetória do artista também inclui a presença de trabalhos em importantes instituições brasileiras. Obras de Nathan Braga integram acervos do Museu de Arte do Rio (MAR), do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), do Museu Nacional de Belas Artes e do Museu de Arte Brasileira da FAAP.
A participação na Bienal de Gwangju representa mais uma etapa no percurso profissional construído pelo artista ao longo dos últimos anos.
Convite partiu de curador
O convite para integrar o projeto brasileiro na Coreia do Sul foi feito pelo curador Aldones Nino, com quem Nathan mantém uma relação profissional e de amizade desde 2018.
Para o artista, estar na Bienal representa a consolidação de um caminho construído gradualmente desde o início dessa parceria. A trajetória também foi atravessada pelas mudanças provocadas pela pandemia e pela continuidade do trabalho desenvolvido em seu ateliê.
A presença de Nathan Braga na abertura da Bienal de Gwangju foi viabilizada por meio de um edital da Secretaria da Cultura do Espírito Santo (Secult).
Com a participação, o artista capixaba passa a integrar uma exposição internacional que amplia a circulação de sua produção e leva ao público sul-coreano uma pesquisa construída a partir da relação entre matéria, silêncio, movimento e presença.